MUNDO DO RAP



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Quinta-feira, Outubro 23, 2008

Nada de chá, nada de café
Eu quero é um gole de amor, de esperança
Paz de criança dormindo, ligou?


Sabe aqueles sons que você para pra ouvir uma vez, acaba ouvindo umas vinte e pensa assim: “caralho! Esse som é muito foda”.
O som é das antigas, a maioria já deve conhecer, mas eu achei interessante postar ele aqui.
Esse som aí tem uma linguagem bem poética e consegue passar várias mensagens numa música só, o XIS estava muito puto com a vida e inspirado nesse dia. Eu particularmente me amarro no XIS, é um rap inteligente pra caralho e com uma linguagem diferenciada na qual me identifico, pena que ele tenha dado uma parada, mas o som é foda. Sempre curti esse som, quando eu to meio pra baixo sempre ouço “sonho meu.”
Uma vez me perguntaram, quais eram os dez sons que eu achava mais foda de toda a história do rap nacional, e esse aí é um deles.
Hasta.
Música: Sonho meu.
Artista: XIS.


Tento acreditar que foi um sonho.
Nossa... Pra explicar ou entender vai ser foda.
Um rolo compressor, como se fosse,
O mais fudido, devastador, impacto fulminante.
Não me restou uma saída ou outra chance, não.
Por um instante pensei que era aquilo e só.
Tristeza de dar dó, desilusão com tudo,
Caiu meu mundo eu me senti só o pó.
A gente acredita vai e se dedica, mata morre por alguém,
Por algo que se tem.
Porém, no escuro pelas costas vem um tiro.
Fecham-se as cortinas e você não é mais ninguém.
Ultima cena, último ato, a dor...
Porcos festejam sobre o corpo de um defensor.
Que dedicou... Enfim... O máximo de si.
Que então tentou então tentou e se fudeu no fim

Não sou ator isso aqui não é novela
Real realidade eu faço parte dela
Num tô entre um comercial e outro e tal
Passando a rola e pah na pilantra da atriz principal
Eu tou falando de traição de pilantragem
Minha poética versão, minha verdade
Mais apurada sincera que Deus me deu
Até parece que foi sonho meu


Sonho meu... Até parece que foi sonho meu
Sonho meu... Como faz falta um abraço seu
Não vejo a hora disso tudo acabar
Me dá uma chance eu quero acreditar
Que nada dessa porra aconteceu


Seis da manhã
A insônia me pegou me fudeu trouxe a lembrança
Nada de chá nada de café
Eu quero é um gole de amor de esperança
Paz de criança dormindo, ligou?

A tática perfeita o respeito o amor...
O coro Oh! oh! A gíria! morô?
A última ponta de luz puxou?
Talvez um dia lá você esteja louco lá
Com o dedo no gatilho suando frio pronto pra atirar
Firmeza, seu mano e você firmeza
O plano definido a fita derradeira
Não falo de contrato eu falo de amizade
O fato é o que eu falo e o que eu faço e com cumplicidade

Na malandragem do bem quem liga, ligou
Sou quem rima o terror, tou na paz do senhor
Ei meu mano num atirou, pipocou
Falto disposição na ladeira, me abandonou
Aonde estou? que treta? que fita?
Está é minha vida hehe... cê acredita?
Em um instante tudo se perdeu
Quem é você? Me responde quem sou eu?

O fim da linha por um erro que se cometeu
Até parece que foi sonho meu...

Sonho meu... Até parece que foi sonho meu
Sonho meu... Como faz falta um abraço seu
Não vejo a hora de isso tudo acabar
Me dá uma chance eu quero acreditar
Que nada dessa porra aconteceu

Fui humilhado, tratado como um nada, um bosta!
Inocente ou culpado?
Agora não importa. bosta!
Perdi a vida, fecharam-se as portas. bosta!
Não tive média me expulsaram da escola, bosta!
Minha ferida não cicatriza, é foda!
Tudo o que passei o que sofri.
Quem se incomoda?
Como é foda saber que a causa é uma bosta
E a conseqüência na sua cara engatilhada é foda
Passa o dia, passa a hora, passa o tempo... passa a bola
É foda, minha memória infectada descontrola
Abala o corpo e sobra a alma pra vitória, bosta!
Um pobre dialeto que me sobra, vi violência pura
Me tortura, como é foda!
Sonho um dia ser feliz
Sair da bosta
Um salve pras cadeia do país
Paz e Glória...

Sonho meu...
Até parece que foi...
Sonho meu



FALA TU:

Domingo, Outubro 19, 2008

Polícia X manos.

Hoje irei postar um dos melhores, se não o melhor som do cd novo do Trilha sonora do gueto.
Esse som contém alguns diálogos do Cascão com um policial e comenta o fato do Cascão ser formado em direito e do medo que a polícia tem quando encontra um “mano” informado, com estudo e com argumentos pra debater com eles.
E a molecada que ta começando a curtir rap agora tem que absorver mais as mensagens de sons como esse. A molecada tem que ver que ser “mano” não é ser vagabundo ou andar armado pra impor respeito, a molecada tem que entender que um “mano” de verdade anda instruído, tem cultura pra debater com qualquer pessoa e impõe respeito pelo que é e por suas idéias, e não pelo ferro que tem na mão ou na cintura.
E quando a polícia ou a sociedade elitista num geral encontra um “mano” desse tipo eles piram, porque eles odeiam os manos, e pra eles todos são ladrões, vagabundos e não prestam. Só que quando percebem que o “mano” graduou e não é nenhum otário eles não sabem o que fazer.
Vivemos numa sociedade de estereótipos, e quando uma pessoa percebe que fez o julgamento errado de outra pessoa ela não sabe o que fazer, porque até aquele momento ela julgava as pessoas de uma forma, mas apareceu uma pessoa para confundi-la e os estereótipos começam a se quebrar, e a pessoa que julgava fica sem base e confusa, já que os seus argumentos e “achismos” começam a ser minados. Ou seja, muita gente quando vê alguém de calça larga, camisa larga e boné na cabeça já julga a pessoa como isso ou aquilo e quando pára pra conversar muitas vezes se engana, e isso deixa o preconceituoso sem chão e confuso, e diante disso o estereótipo se quebra.
Mas agora eu vou falar do maior órgão preconceituoso desse país, a polícia.
Só quem é cego não vê que a polícia brasileira não possui preparo algum para exercer a função de verdade que eles são preconceituosos com certos grupos da sociedade.
Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, esse preconceito policial já é ensinado na própria academia de polícia.
Alguns jornais locais aqui do Rio mostraram como é a nova apostila do policial militar carioca. Nela se ensina abordagens nos morros e favelas e mostra que o bandido é negro, ou seja, já no treinamento o policial militar é ensinado a abordar o negro como suspeito. Inclusive essa matéria deu pano pra manga aqui no Rio e o governo Sérgio Cabral foi bastante criticado por isso.
Só que os policiais racistas se esquecem que os chefões do tráfico não possuem pele escura e nem no morro estão. Mas ninguém vai atrás desses mesmos, então deixa pra lá. Diante disso a culpa tem que recair sobre alguém, e de preferência alguém de pele escura.
Uma vez mesmo aconteceu comigo um fato curioso. Estava eu descendo minha rua quando um policial me abordou, levantou meu rosto pra ver o meu nariz e perguntou se eu usava drogas. Confesso a vocês que naquela hora me deu vontade de rir, mas consegui segurar o riso. Agora vejam só o preparo dessa nossa polícia. Onde já se viu um policial chegar pra alguém e perguntar se a pessoa usa drogas? Essa é a abordagem correta? Eles por acaso acham que o drogado vai chegar pra eles e falar: “ah sim sinhô, eu uso drogas sim, agora mesmo vim aqui na boca da um teco mas já to indo embora.” Fala sério pô! Esses policiais brasileiros me fazem rir certas horas.
Tem gente que chega pra mim e fala que quem não gosta de polícia é bandido, mas eu não gosto e não sou bandido. E o fato da pessoa falar que não gosta de polícia não quer dizer que ela goste de bandido (tem gente que acha isso). Eu apenas não gosto de bandido, e gosto menos dos bandidos de farda que financiam e alimentam a violência.
Eu não gosto da polícia porque eu tenho o seguinte pensamento: o pior bandido é o que usa da lei para o seu banditismo, ou seja, o bandido que age respaldo pela lei é mais perigoso do que o bandido comum. E quando eu digo que não gosto de polícia não estou falando dos policiais em si, estou falando da instituição polícia e conseqüentemente de quem contribui para a podridão desse órgão do Estado.
Aqui onde eu moro mesmo eu canso de ver polícia vendendo arma pra bandido, quando eles prendem alguém voltam pra pedir dinheiro e depois do pagamento libertam o bandido. E é por causa de coisas como essas que eu vejo no meu cotidiano que eu falo sem hipocrisia que não gosto de polícia. Polícia que arma bandido, polícia que financia bandido, polícia que tem pacto com bandido, não tem como eu ter respeito por uma polícia dessas. Quando eu vejo ou ouço um tiroteio eu me faço as seguintes perguntas: “se aqueles policiais safados não vendessem armas pro morro será que o tiroteio estaria acontecendo? Será que as pessoas de bem estariam se abaixando dentro de suas casas para fugir das balas perdidas? Será?” Ou seja, quem é pago pra conter a violência financia a mesma, e ainda tem gente que acha que um dia a violência vai acabar. Com uma polícia dessas ela só tende a aumentar.
Esse último fato surreal e bizarro das policias Civis e Militares de São Paulo eu prefiro nem comentar, só no Brasil mesmo pra eu ver as cenas que vi pela TV. Isso é só mais uma amostra do estado caótico que a nossa segurança pública se encontra.
E pros “manos” que sofrem preconceito da polícia eu aconselho a não ser o que eles querem que vocês sejam; estudem, se instruam, vejam ou leiam coisas que lhe acrescentem realmente algo de bom e produtivo, trabalhem honestamente, e sejam homens de bem. Se fizerem isso a polícia vai ter um ódio profundo de vocês, e nada poderão fazer contra você, pois eles verão que o “mano” que eles achavam que era vagabundo drogado e bandido é mais instruído do que eles, tem mais educação do que eles e não é bobo. E o policial pensa cem vezes antes de fazer alguma coisa com alguém que é instruído. A polícia é um dos principais órgãos desse sistema imperialista que nos cerca, e o sistema faz de tudo para te alienar, é só observar o mundo a sua volta que você irá ver um mar de peixes cegos que sempre mordem o mesmo anzol (como diz o FC), não seja você mais um.
Curtam agora esse som mais do que foda do trilha sonora do gueto.
Um salve aos manos!

Música: Padre nuestro.
Artista: Trilha sonora do gueto.


Cê me conhece? Não?
Então vai segurando
Aqui o vida loka original que tá falando
Dois, zero, zero, oito
O gueto continua com a corda no pescoço
Polícia invadindo os beco pronta pra mata
Atrás do vida loka que gostava de paga
Só que vocês chegaram tarde o vida loka graduo
Tá formado em direito e é chamado do doutor
Anda todo de gravata, de sapato bico fino
Se cola lá no congresso vai acaba nos confundindo

Tem diploma igual ele e sabe o que é rouba
Mas em Brasília não se rouba, hahaha! Vai se lasca
Já se foi aquele tempo que cês passava batido
Hoje o gueto tá na sul, cês tá todo ingrupido
A saúde do país já morreu agonizando
A cultura, o lazer não faz parte do seus planos
É Brasil, democracia na favela é prejuízo
Lá manda quem pode
Obedece quem tem juízo


- Vai ladrão, documento do veiculo e habilitação.
O que você faz?
- O que eu faço?
Sou semi-analfabeto, nordestino e favelado.
Tenho três predicados.
Ah sinhô, esqueci.
Sou estudante de direito
Quinto anista.


Já era delegado só nos resta a opção
Fazer daquele jeito declara que ex-ladrão
Esse cara é nocivo, ele é contra o sistema
E formado em direito vai trazer muito problema
Induzindo a molecada a estudar um pouco mais
Vai mostrar que tem direito, que é só correr atrás
Já pensou seu delegado, eles são a maioria

E com a raiva que eles têm lá da nossa burguesia
Sem conta com a segurança que nós presta pros bacana
Que quer ver o gueto morto (tá gravando) eu disse em cana

To de volta, to no jogo, destemido e sem medo
Quem pensou que nós já era
Trilha sonora do gueto
Contundente como sempre
Arrogante só pros bico
Que só quer zé povinha o que eu penso o que eu digo
Nada contra moro jão, faz aí o seu papel
Fica frio que cú de burro também tem lugar no céu

Num foi eu quem quis assim
Cês que num gosto de mim
Só que nunca se declara fica só de tititi
Ta com medo? A carapuça mais parece a sua foto
Você acha que eu sou bruxo
Que eu devo joga na loto
Já falei quer me matar entra ai que essa é a fila
Mais cuidado com o ditado que malandro não cochila

Delegado ele é folgado continua provocando
Diz que acredita em Deus e não tem medo do meu plano
Diz que cano enferruja fé em Deus move montanhas
Estuda direito é tudo desse cara seis num ganha
Diz que não me deve nada que eu trabalho pro sistema
Bate ai meu DVC que aqui é sem problema
Etâ cara abusado vida loca boca dura

Quero vê se ele folgava se hoje fosse a ditadura
Eu já tinha encaminhado esse “RAP” pro inferno
Sorte que você num é deus é um semi-analfabeto
E primeiro que não é “RAP” eu sô “REP” meu sinhô
Faz aí o seu trabalho e me respeita, por favor,
Deixa a sua opinião que eu sei que é pessoal
Pra usa com aquele cara que entra lá no seu quintal
Que assobia e que chama seu cachorro pelo nome
Aí é a sua cara se faze de super homem
Vai maluco cala a boca que se já falo de mais
Se não tivesse ti dia te mostrava como faz
Infelizmente é assim mesmo vocês sempre tem razão
Mas o Deus a que eu sirvo vegeta até o vulcão

Eu não sei parece ele só que pa diminuiu
Eu mosquei virei o rosto e o vida loca sumiu
Ta aqui no lugar dele um pivete o Zequinha
É marrento ginga bem ouve aí fica na linha:

Ai sistema tô crescendo com mó ódio de você
Estudando até umas hora que é pro ódio perecer
Delegado federal, vo prende todos os político
To cheio de tapa na cara e vo paga que é comigo
E vai ser questão de honra embaça na de vocês
Seis num era todo pã tá chegando a nossa vez
To crescendo e tô lendo e tô só me informando
Ta achando que até quando vai fica nos humilhando?
Você veio aqui no gueto pedi voto eu te dei
Você foi lá pra Brasília e de nós se esqueceu

Vai pensando que tá doce que eu penso amanhã
Por você numa cadeia psicólogo divan
Nada disso te ajuda se eu final vai se lá dentro
Sua ação no seu passado hoje é minha reação



Para baixar esse som CLIQUE AQUI.


FALA TU:

Sábado, Outubro 11, 2008

Em épocas de crise do capitalismo, lembrei-me de Che!
Pra você que não conhece muito sobre o revolucionário Ernesto Che Guevara, vale apena dar uma lida nesse texto.


A VIGOROSA ATUALIDADE DAS IDÉIAS DE CHE GUEVARA, 41 ANOS DEPOIS.
*Por Beto Almeida – Fazendo média.

Há 41 anos, num 8 de outubro, a humanidade recebia a notícia da covarde execução de Ernesto Guevara por um agente da CIA na Bolívia, horas após ter sido aprisionado por uma patrulha do exército boliviano controlado pelo exército dos EUA. A troca rápida de telefonemas entre os comandos militares de La Paz e Washington deixou antever a pressa em eliminar a presa, antes que todo um mundo de manifestações gigantescas se levantassem mundo afora para exigir a libertação de Che. Já era prova do temor às suas idéias, ao seu exemplo, à sua função na história.

Hoje, toneladas de papel continuam sendo escritas sobre ele, o debate segue com vigor. O aparato ideológico capitalista é obrigado a dar continuidade ao trabalho de demolição da imagem histórica de Che, comprovando, contra a sua vontade, que seu exemplo e suas idéias seguem amedrontando os donos do capital e do poder. Os publicitários capitalistas apenas superam-se na capacidade de insultos e ofensas à personalidade do Che, revelando, involuntariamente, sua incapacidade de apagar da história este personagem, que, ao contrário, se agiganta.

Especialmente agora quando os fantasmas de uma nova crise do capitalismo especulativo baseado em moeda falsa desequilibra a mais potente economia capitalista do mundo, ramificando a crise por todos os lados, dada a extraordinária dependência que a economia mundial construiu em torno de alguns destes pólos capitalistas, hoje em crise.

O fantasma de Che tira o sono dos capitalistas, ele mesmo que deu continuidade à abordagem teórica de Marx e Lênin sobre a inevitabilidade da crise do sistema do capital, e, ao mesmo tempo, também desenvolveu importantes aspectos da crítica que Trotsky fazia à burocratização da União Soviética, que, tal como fanáticos religiosos, muitos partidos comunistas, entre eles um que traiu criminosamente ao Che, o boliviano, classificavam incorretamente como socialismo.

A previsão de Trotsky, feita lá em 1936, de que a URSS se desmoronaria não pela invasão militar externa, mas pela não realização da revolução política interna que retomasse a democracia soviética vivida em plenitude nos sete primeiros anos revolucionários, - a única forma de democracia livre da tirania do capital - só veio a ser cumprida, dramaticamente, em 1990, com a sua dissolução. Quarenta anos depois, as críticas de Che àquela estrutura burocratizada, distante dos ideais socialistas, degenerada na sua forma de funcionamento interno, também adquirem vigor e atualidade, como a crítica de Trotsky; para desespero dos catálogos publicitários a soldo do capital, como a Revista Veja aqui no Brasil.

Estes, diante da monumental comprovação de toda uma análise histórica e um desenvolvimento teórico magistral rigorosamente confirmado pelos acontecimentos, contra-atacam apenas com falsificações históricas e insultos, chegando a ponto de usar como “argumento” contra Che “que ele cheirava mal”, numa confissão de sua desqualificada estatura intelectual.Esta crítica de Che à economia soviética burocratizada ganhou ampla divulgação recentemente - 40 anos depois de elaborada - por meio da publicação do indispensável livro “Apontamentos críticos à economia política”, infelizmente, ainda não publicado no Brasil até hoje, desafiando o mundo editorial e em particular aos partidos de esquerda, inclusive alguns que elogiam religiosamente a Che, mas não o publicam. Por quê?

De sua personalidade enriquecida pela inteligência, pelo estudo persistente, pela bravura desprendida e infinita e pela ética revolucionária haveria muito sobre o que escrever, estudar, aprender, desenvolver, e , sobretudo, aplicar dialeticamente para as contradições da luta de classes atual. Mas, num artigo limitado no espaço e no tempo, mencionemos apenas algumas destas características que confirmam aquela vigorosa atualidade reivindicada ao início: o Che comunicador revolucionário, o Che médico-revolucionário e o Che ministro-revolucionário.

O comunicador Che Guevara.
Uma das facetas desta extraordinária personalidade é o jornalista Che Guevara. Não é o caso de detalhar aqui sobre suas atividades como fotojornalista e seus escritos denunciando as injustiças das veias hemorragicamente abertas da América Latina antes mesmo de vincular-se ao movimento revolucionário cubano no México, após escapar da invasão ianque à Guatemala rebelde do coronel Jacob Arbenz; Mas, o organizador revolucionário também na área da comunicação logo se expressou quando, ainda durante os combates em Sierra Maestra, Che organizou a fundação de um periódico, cuja impressão foi possível em gráfica montada com equipamentos levados a lombo de burro e em várias viagens clandestinas para o quartel-general da guerrilha comandada por Fidel.

Logo depois, um passo ainda mais audaz: a fundação da Rádio Rebelde, também em território liberado de Sierra Maestra. Os transmissores foram igualmente para lá conduzidos em lombo de burro e as emissões puderam ser captadas por rádios venezuelanas que, por sua vez, retransmitiam muitas dessas alocuções de Fidel e de Che, possíveis de serem captadas por rádios da Argentina. A Revolução Cubana começava a construir seu sistema de comunicação social revolucionário.

A Rádio Rebelde desceu da Sierra Maestra na ponta do fuzil e existe atualmente, continua coerentemente fazendo jornalismo revolucionário. Após a tomada do poder, Che continuou tomando iniciativas como comunicador, era extraordinariamente consciente da imperiosa necessidade de travar a batalha das idéias contra o dilúvio de manipulação e mentiras que até hoje se lançam contra Cuba Socialista. Baseado numa iniciativa de um seu conterrâneo, o general Juan Domingos Perón, outro dirigente igualmente atento para a necessidade de enfrentar o sistema imperialista de desinformação, razão pela qual criou na Argentina uma Agência Latina de Notícias, Che Guevara foi um dos principais responsáveis pela criação da Agência Prensa Latina, ainda hoje desempenhando imprescindível papel nesta luta de classes ideológica e informativa, especialmente revelando as maquinações do terrorismo midiático incessante contra Cuba e contra todos os governos e povos que adotam posições de transformação social , soberania e independência ante o império.

Che, sempre organizador, foi ainda o criador da Verde Olivo, revista das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, no que se revela a importância da questão militar e da nova função revolucionária atribuída aos militares. Um detalhe: na sua primeira edição, a Verde Olivo trazia na capa o próprio Che. Informado, enfureceu-se, foi até a gráfica e determinou a inutilização de todas aquelas capas e a reimpressão de outra capa, sem qualquer possibilidade de que se alguém insinuasse culto à personalidade.

Hoje, seguindo o rastro de iniciativas organizativas revolucionárias de Che no campo da comunicação libertadora e confirmando a atualidade de seu pensamento em torno de uma informação anti-hegemônica temos a Telesur. A emissora televisiva multi-estatal demonstra a possibilidade de integração e cooperação em várias áreas, inclusive na informação e na cultura, e vai consolidando-se a passos largos permitindo que se tenha nas telas o protagonismo dos povos do sul, divulgando amplamente o processo de transformação da Bolívia, no Equador, Nicarágua, Venezuela, nacionalizando suas riquezas, derrotando o analfabetismo, realizando a integração social e energética, comunicando aos quatro ventos que a ALBA é uma realidade.

Nas telas de Telesur pela primeira vez se mostrou o bombardeio da direita contra a Casa Rosada em 1955, se contou a verdadeira história do que foi o processo de transformação social na era peronista, assim como se contam histórias dos processos revolucionários dirigidos por Pancho Villa e Zapata, retira do ostracismo com toda força a personalidade de Eliecer Gaitan, se divulgam os filmes latino-americanos, inacessíveis nas telas gringas e colonizadas. Trata-se de vigorosa atualidade do pensamento de Che. Que deveria servir de reflexão e estímulo, por exemplo, ao PT que, até hoje, com vários anos de governo, ainda não tem imprensa própria de circulação nacional, embora prometida na última eleição de sua direção nacional.

Medicina e revolução.
O Che médico já atendia aos camponeses nas zonas liberadas de Sierra Maestra. A consulta gratuita era acompanhada de fervorosa e apaixonada argumentação em defesa da revolução cubana, na qual, também se explicava o peso das condições sócio-econômicas na causa e determinação das enfermidades. A tal ponto que um menino camponês que observava atentamente as consultas de Che disse a sua mãe: não leve a sério este médico, ele diz para todos que a culpa dos problemas é do capitalismo...

Seguindo aquele exemplo do médico revolucionário, milhares de médicos cubanos estão espalhados hoje por 77 países dos vários continentes prestando serviço médico solidário, levando o exemplo revolucionário humanista do povo cubano, alcançando as zonas mais inóspitas, nas quais a medicina capitalista não chega, demonstrando assim todo o seu desprezo pelas camadas mais pobres da população.

Para ilustrar a presença do exemplo do médico Che no profissionalismo solidário dos médicos de Cuba, conto que em visita recente ao Timor Leste, rigorosamente do outro lado do mundo, deparei-me com a presença de 350 médicos cubanos. Inclusive, foram os médicos cubanos os que ofereceram os primeiros socorros ao presidente timorense Ramos-Horta, vítima de atentado terrorista em fevereiro deste ano, episódio ainda envolto em dramáticas interrogações, sobretudo a partir das inevitáveis ramificações que pode ter com a imensa e cobiçada riqueza petroleira que aquela jovem nação oceânica é possuidora.

O presidente Ramos-Horta me contou que quando se anunciou a chegada dos 350 médicos cubanos àquela ilha, o embaixador dos EUA ali não teve vergonha em manifestar sua insatisfação, pressionando para que os cubanos não fossem aceitos. Em resposta, Ramos-Horta perguntou ao embaixador quando médicos dos EUA atuavam no Timor. Diante da resposta “nenhum” - reveladora do mais alto grau de desprezo social - Ramos-Horta lhe disse: Cuba nos oferece uma ajuda desinteressada, além de oferecer bolsas para 600 timorenses estudarem medicina na Escola Latino-Americana de Medicina. Gratuitamente., tal como estudam lá aproximadamente 500 jovens pobres norte-americanos, em sua maioria negros, oriundos dos bairros proletários do Harlem e do Brooklin. Um deles me contou que se tivesse ficado nos EUA jamais teria a possibilidade de tornar-se um médico, e que, muito provavelmente, estaria com vínculos ao tráfico de drogas, como muitos de seus amigos que lá ficaram...

Esta vigorosa atualidade do pensamento de Che, encarnado em política do Estado Socialista de Cuba, é uma consciência que se espalha pelo mundo, fruto da generosidade de uma revolução que, apesar dos limitados recursos de que dispõe, faz da partilha de seus recursos humanos com outros povos uma razão de estado, uma ética de nação, transformando em realidade concreta um pensamento infinitas vezes repetido pelo próprio Guevara: tremeremos de indignação por qualquer ser humano oprimido, onde quer que ele esteja.

Materializando este pensamento revolucionário, Cuba desenvolveu um método de alfabetização para indígenas da Nova Zelândia, e outro, para ser operado por meio do rádio, para alfabetizar em dialeto creolo, que nem escrita possui, ponderáveis parcelas da população da Haiti. Isto desenvolvido por pedagogos de uma Ilha que já vendeu o analfabetismo há décadas !!!. Estão vivas ou não as idéias de Che?

O Ministro revolucionário e visionário.
Os 350 mil homens e mulheres cubanos que foram a Angola para lutar em defesa do bravo povo de Agostinho Neto, agredido pelo exército nazista do apartheid sul-africano, era um prolongamento lógico e inevitável do pensamento internacionalista de Che Guevara, alma da consciência internacionalista proletário do povo cubano e uma decisão de estado, comandada diretamente por Fidel Castro. Como disse Mandela, foi na Batalha de Cuito Cuanavale, no sul de Angola, em 1988, “o começo do fim do apartheid”, abrindo uma nova era para o sul do continente africano, cujo mapa político registra governos progressistas e antiimperialistas que desenvolvem a cooperação para enfrentar a herança nefasta do colonialismo.

O internacionalismo proletário, a solidariedade internacionalista, são políticas do estado socialista cubano, em cuja fase inicial tinha um Che como ministro, infatigável na luta contra a falta de especialistas, agravada pela fuga de cérebros, o terrorismo lançado contra Cuba, as limitações tecnológicas, a herança colonial e, a seguir, o bloqueio. Ali estava um exemplo vivo de administrador socialista, sempre incorporando a participação coletiva, considerando respeitosamente a diferença de opiniões, mas, intransigente na defesa da estatização, do monopólio do comércio exterior, da planificação estatal. Não é que Che fosse um romântico que desprezasse o poder, ao contrário, desprezava sim o poder pessoal, era atento as perigos profissionais do poder, mas era, sobretudo, um intransigente construtor do poder proletário, lutou incansavelmente pela tomada do poder das mãos dos capitalistas, pela destruição de todo poder do capital.

Todos estes exemplos estão cada vez mais vivos na história revolucionária mundial e encontram ressonância em muitos lados, como por exemplo nas diretrizes adotadas pela Revolução Bolivariana, comandada por Chávez, uma delas na preocupação pela diversificação produtiva, pela industrialização, pela crescente intervenção do estado, pelo desenvolvimento de laços de cooperação estratégica com países que afirmem a integração latino-americana, com o sentido de reduzir a dependência da economia capitalista mundial, hoje afetada por uma crise ainda sem controle.

Estes foram temas tratados à exaustão pelo Ministro da Indústria Che Guevara. E agora, diante desta crise financeira capitalista, da falência sucessiva de bancos, da nacionalização de bancos que se procedeu, por exemplo, na Inglaterra, não vemos mais do que outra vez confirmar a vigência das idéias de Che Guevara, intransigente defensor da estatização, da economia real produtiva, crítico severo e mordaz dos arranjos criados pelos países imperialistas para seguir com sua rapina e sua acumulação usurpadora, em nome de uma financeirização virtual e artificial, às custas da economia produtiva e dos que produzem, os trabalhadores, sempre atirados nos abismos mais profundos da miséria e da opressão.

O Che ministro era também exemplo de criatividade: fundou o Instituto de Investigações dos Derivados da Cana-de-açúcar, e, no discurso no dia inauguração, fez uma previsão visionária que além de indicar sua insaciável curiosidade científica e tecnológica, encontra hoje ampla confirmação. Disse o Che: chegará o dia em que o açúcar será apenas um dos derivados da cana e não o mais importante. Atualmente, da cana já é possível produzir medicamentos, o etanol, a álcool-química, com seus plásticos biodegradáveis e fertilizantes orgânicos que tornarão possível a libertação da agricultura de petro-dependência atual, cara, insustentável ambientalmente e também para a saúde dos povos.

Relativizando a importância do açúcar ao longo do tempo, inclusive em razão de seus complexos vínculos com um sistema de comércio internacional no qual Cuba não tinha e ainda não tem controle dos preços, Che nada mais fez que antecipar-se a uma situação que de fato tornou-se realidade. Hoje Cuba desmantelou praticamente metade de sua produção açucareira e, segundo informa o Granma, dá início à implantação de 11 centros de produção de etanol em território venezuelano, num projeto binacional que confirma, uma vez mais, a importância das iniciativas em curso para a integração latino-americana.

Combinada com a cooperação agrícola em curso entre Brasil, Venezuela, e Cuba, iniciativas como esta, impulsionadora do desenvolvimento de energia renovável num mundo com restrição de energia fóssil, viabilizam novas opções produtivas, colaborando com esforço já em curso para a transformação da agricultura dos dois países, e, fundamentalmente, revelando, novamente, a vigorosa atualidade das idéias de Che Guevara.




FALA TU:

Sábado, Outubro 04, 2008

UTILIDADE PÚBLICA.

Domingo é dia de votar. Mas antes disso é preciso saber algumas diferenças que não são divulgadas nos meios de comunicação.
Vamos a elas:
Desde que me entendo por gente nunca vi uma eleição com eleitores tão desanimados.
As pessoas estão cada vez mais desacreditadas da política e muitos iram anular o voto esse ano.
Em algumas cidades a quantidade de votos brancos e nulos chega a incrível marca de 35%, marca essa jamais atingida em outros anos. E isso está assustando os políticos. Alguns passam a imagem de que não se importam com os votos brancos e nulos, mas se importam sim, ou melhor, se importam, e muito. A quantidade de votos brancos e nulos elege um prefeito facilmente em muitas cidades brasileiras.
O problema é que tem muita gente que vai votar em branco achando que está anulando o voto, quando não está. E esse é o intuito do tópico de hoje, explicar a diferença entre voto em branco e voto nulo, pois tem muita gente que ainda não sabe anular o voto.
Esse ano as autoridades estão tão preocupadas com os eleitores desacreditados que o que mais tem é campanha no rádio e na TV pedindo pra você votar. Se os votos brancos e nulos não fossem importantes você acha que existiria alguma campanha pra estimular o voto? Pense bem nisso.
Eu voto nulo faz tempo, não gosto de sustentar parasitas, mas isso é uma ideologia minha, e eu não pretendo nem tenho o poder de forçar ninguém a nada, só quero deixar claro a diferença do voto branco e nulo. Para as pessoas que pensam que votar em branco quer dizer anular o voto é bom dar uma lida no texto abaixo. Para os demais, boa eleição e boa sorte!


Voto branco e voto nulo: diferenças desconhecidas. A importância do voto nulo em uma eleição e o motivo do governo não ressaltar essa importância perante a população.
Se você não sabe em quem votar na próxima eleição, vale a pena saber sobre voto BRANCO e NULO!

Os votos em BRANCO significam "TANTO FAZ" e são acrescentados ao candidato de maior votação no último turno. Ou seja, se existem dois candidatos Tubarão e Galinha, Tubarão termina com 52% dos votos, Galinha recebe 35% dos votos, 10% são votos em branco 3% são nulos, isso significa que 3% dos eleitores não querem nem Tubarão nem Galinha no poder, mas 10% dos eleitores estão satisfeitos tanto com Tubarão como com Galinha, o que vencer está bom. Neste exemplo, Tubarão tem uma aceitação de 62% do eleitorado. (52% + 10% dos votos em branco). O voto em branco é um ato de conformismo.

Já o voto NULO é um protesto válido. Ele quer dizer que o eleitor não está satisfeito com a proposta de nenhum candidato e se recusa a votar em um ou outro. Esse tipo de voto é importante e é o que efetivamente faz a democracia, pois a existência dele permite que o eleitor manifeste a sua insatisfação.

O problema é que existe muita pressão para a escolha de um candidato e pouca explicação do que escolher significa. Explicam como votar em um candidato ou como votar em branco, mas ninguém explica como anular um voto. Pois bem, para anular um voto é preciso digitar um número inexistente no número do candidato. Se um eleitor experimenta votar em branco, o terminal eletrônico avisa "Você está votando em branco" e então o eleitor pode confirmar, ou corrigir. Mas se o eleitor coloca um número inexistente num terminal, ele acusa "Número incorreto, corrija seu voto". Assim, os votos NULOS são desencorajados. Por que os votos nulos são desencorajados? Por que ninguém fala deles?

E por que eu falo deles? Porque, se na eleição entre Tubarão e Galinha, Tubarão terminasse as eleições com 42% dos votos e Galinha com 30%, 10% de brancos e 18% nulos as eleições teriam que ser repetidas e nem Tubarão e nem Galinha poderiam participar das eleições naquele ano. Ou seja, o voto nulo, do qual ninguém fala e que o terminal acusa como "incorreto, é o único voto que pode anular uma eleição inteira e remover do cenário todos os candidatos daquela eleição de uma só vez".
Se nenhum dos candidatos conseguir maioria (mais de 50%) no último turno, as eleições têm que ser canceladas! Os candidatos são trocados e novas eleições têm que ocorrer.
Então, contribuindo para a campanha do voto consciente, se alguém estiver votando em Tubarão ou em Galinha, mas preferia não votar em nenhum dos dois, pode optar pelo voto INCORRETO, o voto NULO.
Não seja obrigado a votar em quem você não quer no poder!

Agora vocês entendem porque na urna eletrônica existe a tecla BRANCO, mas não existe a tecla NULO?
Espero que sim.
Sempre que chega época de eleição eu me lembro desse som do mestre Bezerra:

Música: Candidato caô caô.
Artista: Bezerra da Silva.


"-Alô, Alô meu povo!
Vai ter eleições denovo
Escolha seu candidato certo
Não vote nesses políticos
Caô, Caô!
Cuidado malandro!
É tudo grupo"

Ele subiu o morro sem gravata
Dizendo que gostava da raça
Foi lá na tendinha
Bebeu cachaça
Até bagulho fumou
Jantou no meu barracão
E lá usou
Lata de goiabada como prato
Eu logo percebi
É mais um candidato
Para a próxima eleição
Ah! E lá usou!
Lata de goiabada como prato
Eu logo percebi
É mais um candidato
Para a próxima eleição...

Ele fez questão
De beber água da chuva
Foi lá no terreiro
Pedir ajuda
E bateu cabeça no gongá
Mas ele não se deu bem
Porque o guia
Que tava incorporado
Disse esse político é safado
Cuidado na hora de votar...

Também disse:
Meu irmão se liga
No que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto
Amanhã manda a polícia
Lhe bater, podes crer
Meu irmão se liga
No que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto
Amanha manda a polícia
Lhe bater...

Ele subiu o morro sem gravata
Dizendo que gostava da raça
Foi lá na tendinha
Bebeu cachaça
Até bagulho fumou
Jantou no meu barracão
E lá usou
Lata de goiabada como prato
Eu logo percebi
É mais um candidato
Para a próxima eleição
Ah! E lá usou!
Lata de goiabada como prato
Eu logo percebi
É mais um candidato
Para a próxima eleição...

Ele fez questão
De beber água da chuva
Foi lá no terreiro
Pedir ajuda
E bateu cabeça no gongá
Mas ele não se deu bem
Porque o guia
Que estava incorporado
Disse:
Esse político é safado
Cuidado na hora de votar...

Também disse:
Meu irmão se liga
No que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto
Amanhã manda os "home"
Lhe bater, podes crer
Meu irmão se liga
Porque eu vou lhe dizer
E depois que ele for eleito
Dá aquela banana pra você
Podes crer

Meu irmão se liga
No que eu vou lhe dizer
Hoje ele pede seu voto
Amanhã manda a polícia
Lhe prender
Podes crer
Meu irmão se liga
No que eu vou lhe dizer
E depois que ele for eleito
Não arruma emprego pra você.




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