MUNDO DO RAP



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...Ativista não é o homem que diz que o rio está sujo. Ativista é o homem que limpa o rio...

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Sábado, Julho 12, 2008

Pra cantar rap nacional tem que ter amor.

Existem inúmeros estilos musicais que o cantor ou o grupo canta por cantar, ou simplesmente canta pelo dinheiro. Mas o rap nacional é totalmente diferente nesse sentido, totalmente mesmo.
Pra cantar rap nacional tem que ter amor mesmo (pelo menos na maioria dos casos).
O rap nacional ainda é um estilo musical muito discriminado, muito mesmo. E coisas como fama e dinheiro não andam muito ao lado do rap nacional.
Fama e dinheiro são irmãos, e daqueles bem unidos que dificilmente se separam. Geralmente um acompanha o outro, mas muitos cantores de rap não tem nem conhecimento desses irmãos.
A verdade é que cantor de rap nacional não é considerado artista e não é visto como tal pela grande sociedade. Cantor de rap nacional ser chamado de artista é raridade. É como diz um som do facção: “artistas de um mundo que não existe... Cantor de rap nacional, artistas ou não?”
Eu por exemplo acho as letras do Mano Brown e do Eduardo muito mais fodas e muito mais difíceis de serem feitas do que as letras do Renato Russo, por exemplo. Nada contra o finado Renato. Não sou muito fã dele mas eu sei que ele escreveu excelentes letras e é considerado um dos grandes artistas desse Brasil. Só que a pessoa que chama o Renato Russo de artista provavelmente não irá chamar pelo mesmo nome o Brown, e muito menos o Eduardo, tendo em vista que o Eduardo tem apenas a quinta série (porém, é um gênio).
Eu fiz essa comparação apenas para vocês terem uma noção do que é ser artista no Brasil. No caso do Renato eu o usei para exemplo de grau de comparação, mas ele era um artista de fato, pois artista é o que possui algum tipo de arte, e a música poética dele era e é realmente uma arte.
A questão toda é quando chamam uma pessoa que não possui arte nenhuma de artista e os verdadeiros artistas do Brasil não são verdadeiramente valorizados. Isso que é foda!
Lembro-me de um fato curioso que eu vi uma vez na TV. Foi no programa do pânico. Os repórteres do pânico perguntaram pro Jairzinho (filho do Jair Rodrigues e grande músico e compositor) o que ele achava do mc créu estar fazendo mais shows e vendendo mais CDs do que ele. Jairzinho ficou meio sem graça e respondeu: é né, fazer o que?! Ele não disse, mas com certeza pensou: “porra, fico dias escrevendo e produzindo uma música pra um tal de créu que nem cantar sabe ser mais famoso que eu. E sua ‘música’ nem letra tem? E esse cara ainda ta ganhando mais dinheiro do que eu, que merda.”
É lamentável, mas a atual a cena é essa mesmo. E é por isso que muitos músicos que antigamente faziam letras mais conscientes estão mudando de lado e fazendo músicas mais apelativas pra ganhar dinheiro. Posso citar vários.
A verdade é que o povo gosta de porcaria, admira porcaria, idolatra porcaria e por isso vive num chiqueiro chamado Brasil!
E olha que eu estou falando só de música. Se eu for falar de outros gêneros artísticos a coisa vai ficar mais feia ainda.
Eu fico imaginando como que deve ficar, por exemplo, a mente de um ator que estudou anos, fez vários cursos e no final de tudo, depois de estar formado, vai fazer um teste e perde um papel para um big brother da vida que nem um simples curso de artes cênicas tem. Isso é um fato lamentável, mas infelizmente acontece muito aqui no nosso Brasil. Coitado do verdadeiro ator, e coitado do público que vai assistir o pseudo-ator no seu lugar. Aliás, coitado do público coisa nenhuma, é esse mesmo público que escolhe os seus artistas, então nada mais merecido. Dai a César o que é de César. Dai aos noveleiros os big brothers. Nada mais justo.
Novela já é uma coisa ruim de se ver, que dirá agora, feita por pessoas que nem verdadeiros atores são.
Mas voltando a falar do rap...
Hoje estou colocando uma música do trilha sonora do gueto que eu achei sensacional e fala um pouco sobre isso tudo que eu estou escrevendo.
Nesse som chamado “Vida loca do Ramaiz” o cascão conta de um fato que aconteceu com ele, e que ele sofreu represarias que poderia não ter sofrido se fosse “artista”.
O problema todo é que o cascão assim como todos os demais cantores de rap nacional são artistas SIM.
Se pegar um monte de palavras, e fazer rimas com elas não for arte eu não tenho mais noção do que é arte.
Apesar de que hoje em dia as pessoas realmente não sabem o que é arte. Só assim podemos explicar teatros vazios e em contrapartida sofás abarrotados de mentes vazias assistindo a novelas, TV fama, super pop e etc.
Só não sabendo mesmo o real significado da palavra arte para chamar o latino e o mc créu de artista.
O povo tem que entender que artista não é o que está na televisão não. Artista é o que faz arte, é o que tem alguma arte para mostrar, seja ela qual for. Só que o povo insiste em achar que porcaria é arte.
Se porcaria fosse arte o porco vivia em Hollywood e não num chiqueiro.
Existem inúmeros artistas que a TV nunca vai tomar conhecimento, mas nem por isso os mesmos deixam ou deixarão de ser verdadeiros artistas.
Hoje em dia qualquer coisa é arte, mas não se iludam. Na TV tem muita gente que não é artista formando opinião e falando besteira. Mas novamente eu te digo: não se iluda!
E pra você que ta começando no rap agora com o seu grupo é bom já ficar sabendo que você não será considerado um artista no meio em que vive. A não ser que você faça um rap apelativo e sem conteúdo nenhum, e quando eu digo conteúdo eu não digo protesto não, pois o rap não é só isso.
Muitos não sabem que a palavra rap é a junção de ritmo e poesia.
Só que se uma pessoa faz ritmo, essa pessoa é artista; se outra faz poesia ela também é artista; mas se uma pessoa fizer a junção dos dois, ou seja, se uma pessoa fizer RAP ela não é vista como “artista”.
Vivemos num país tão hipócrita e tão preconceituoso que se um ator global for pego fumando maconha, no mês seguinte ele ta como galã da novela das oito, (que o diga o Marcelo Antony). Mas se a mídia pegar um rapper fumando maconha já fala logo: olha aí o marginal.
Vai entender um bagulho desses. Coisas de Brasileiro!
Pra mim é fato que cantor de rap nacional é artista, e alguns fazem arte como poucos. Não faça a mídia te convencer que artista é coisa ruim, que só é artista o cara que é esnobe e metido ou que a arte está ligada ao dinheiro. Existem diversos artistas nesse Brasil que não possuem dez reais na carteira. Arte não tem nada a ver com dinheiro. Garrincha fazia arte com suas pernas tortas e morreu pobre. Nós do rap nacional temos que valorizar os nossos artistas. Não deixe que te façam pensar que cantor de rap nacional não é um artista, pois ele é sim.
O problema todo é que o rap nacional é um estilo discriminado por bater de frente com as coisas. E quem faz e curte rap nacional sabe que sofre preconceito mesmo, não tem jeito. Infelizmente, nós, e quando eu digo nós, eu me refiro a mim, a você, ou seja, me refiro a todos que curtem o verdadeiro rap nacional. Nós vamos sofrer preconceito sempre! O preconceito vai da família a sociedade num geral. As pessoas não conseguem enxergar a nossa arte. Mas isso não é culpa da nossa arte, é culpa das pessoas que não conseguem vê-la.
Tem gente que vê um quadro do Picasso, do Claude Monet, do Van Gogh e não vê arte, mas a arte está lá, só que nem todos têm o dom de ver essa arte. E com o rap acontece rigorosamente o mesmo.
E todo gênio incompreendido é discriminado. E o nosso querido rap nacional ainda é um gênio incompreendido por muitos, por isso somos discriminados.
E é por isso que eu dou muito valor pro rap nacional. Porque pra fazer rap nacional, pra gostar de rap nacional tem que ter amor. Muito amor.

Música: V.L du Ramaiz.
Artista: Trilha sonora do gueto.


[Cascão falando]
Pra quem já foi no show do trilha
E já ouviu o cascão falar que cantar é mó boi
O latino é quase viado e canta
Cantar rap é carregar uma bandeira

Dia 20 de dezembro, coincidência ou não
Perto do natal me aparece os policia civil lá casa com uma intimação
Falando que eu to envolvido num duplo homicídio
Firmeza total, sou revolucionário, vou superar mais essa
E só tenho a agradecer esses caras aí
Que fizeram eu passar mais uma provação

Se eu fosse Zé povinho
Com certeza eu ia na corregedoria denunciar eles
Porque o que eles quer é dinheiro
Mas aí, diferente de qualquer circunstância
Vocês fizeram eu abrir meu coração
E fazer mais uma música pro trilha sonora do gueto novo
Firmeza total, o revolucionário nunca desanima
To preparado pra qualquer circunstancia


[Cascão cantando]
Amo o que faço e faço de coração
Lembro no passado, quando eu:
Deita no chão, deita no chão
Deita no chão, no chão, no chão
Olha o castelo que foi me incomodar
Vagabundo e tal, agora quer mudar?
Você num era o cento e cinqüenta e sete
Que pá nos carros fortes com os parceiros lá da leste?
Agora canta rap e que ta cheio de razão
Fala um monte, quer ta certo
Vai pensando que ta bom
Seu nome ta rolando lá no DEIC
Os caras lá, ce ta ligado que não gostam de você
É sina, preconceito, contra ex-presidiário
Ou será um jeito a mais pra ganhar um numerário?

Não posso fazer nada, ta ligado
Nem Jesus agradou todo mundo, sua pendura foi na cruz
Já faz é oito ano que eu to regenerado
To trampando, estudando e no rap consagrado
Que nada, não acredito nessa que ta trampando
Que voltou a estudar, e agora ta cantando
Cantando se tivesse ia estar lá na TV
No obeso do Faustão ou no gay do SBT
Se eu tivesse na TV vocês iam gostar de mim

Ia até deixar eu fazer três pedidos pro Aladin
Três pedidos rapidinho antes do comercial
Quero todas essas galinhas penduradas em um pau
Mas errado uma vez pra eles errado sempre
Mas pro Collor não é assim, tem dinheiro é influente
É sistema to de zóio em tudo que você faz

Vida loca do Capão, tipo bonde do ramaiz
Quando nós se rebelar não adianta vim dizer:
Eu fiz ponte, te dei Extra, fiz o shopping pra você
Ir levar o seu Zequinha pra brincar, se divertir.
Mas não deu um trampo a pampa
Pra eu poder cuidar de mim

Deu a rox pé de pato, a farinha, deu o crack
Hoje volta disfarçado de coelhinho
Ta no parque dos monstros anti-sistema
Que você mesmo criou
Quando no passado minha família você enganou
Me obrigando a ir a luta pra poder sobreviver
Olha só, aqui estou eu programado pra morrer
(Programado pra morrer nós é)

Bruno, Zequinha e Léo
Eu não já falei que eu não quero vocês ouvindo essas músicas de maloqueiro
Muda de rádio vai, muda de rádio...
“Hoje é festa lá no meu apê, pode aparecer...”
“Quer, quer, quer, quer casar comigo...”
“O luar representa, noite quente convida pra um rolê
O estrelar complementa, madrugada feliz só...”

Salve salve rapaziada que está sintonizada aí no seu programa de maior audiência, aqui ó, na comunidade sexta louca.
E acabou de passar por aqui, sabe quem, sabe quem?
Trilha sonora do gueto com vida loca do ramaiz
Estão chegando, estão chegando hein
Não saia da sintonia que tem mais, e a ligação aqui não pára. Sexta louca!

[Cascão falando]
Pode crer, trilha sonora do gueto 2007.
Aí, vocês ainda não sabem de nada.
No dia que o policia foi deixar a intimação lá em casa ele falou pra minha mãe assim:
E aí senhora, seu filho já ta famoso, já foi no Faustão?
A resposta que ele queria ta aí. E só escutar essa letra aí.

No obeso do Faustão, ou no gay do SBT?
Se eu tivesse na TV vocês iam gostar de mim.




FALA TU:

Terça-feira, Julho 08, 2008

Polícia ou bandido?

Esse título tem duplo sentido e é de propósito. Pois a atual polícia carioca não decidiu ainda se ela vai se enquadrar como bandido ou como policia (de fato), ou os dois, o que é pior. Pois um policial bandido tem mais poder do que um simples policial ou um simples bandido, e aí as coisas se agravam. Até porque quem agrega duas funções tem mais poder do que quem só tem uma.
E quando a polícia se alia ao bandido, ou pior, quando a polícia vira o bandido, as leis se esvaem, as doutrinas são quebradas e as vidas são levadas. Morrem inocentes, morrem culpados. Mas atualmente estão morrendo mais inocentes do que culpados.
Nos últimos dias a polícia carioca tem feito uma cagada atrás da outra. Esse meu Rio de Janeiro virou definitivamente uma terra sem lei, ou como diria a música, um purgatório da beleza e do caos, onde a beleza já está ofuscada faz tempo.
Antes de tudo acompanhem essa estatística:

Polícia do RJ matou 144 em confronto em abril.
A polícia fluminense bateu novo recorde de mortes em confronto - os chamados autos de resistência. O Instituto de Segurança pública divulgou que 144 pessoas morreram em abril em supostas trocas de tiros com policiais. Em março, a polícia matou 140. Esses números são os maiores nos 10 anos em que os índices de violência são publicados pelo governo do Estado. Nos quatro primeiros meses do ano, 502 pessoas morreram em confronto com a polícia - 53 a mais do que o mesmo período de 2007. Isso representa aumento de 12% das mortes em 2008.
Para o cientista político João Trajano Sento-Sé, coordenador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, os resultados da polícia fluminense são conseqüência da política adotada de "intensificar o enfrentamento" em algumas favelas. "É uma estratégia equivocada, e que não pode ser predominante na política de segurança. Quando adotada, deve ser precedida de planejamento e preparo, para que o número de vítimas seja zero. E acompanhada ainda de estratégia complementar para que aquela região fique pacificada. Mas nada disso acontece", afirmou.
"O governo age respaldado pela opinião do cidadão médio, que durante anos foi bombardeado com a informação de que a reação dura e agressiva era a única solução. Isso é perigoso. Se autoridades da área econômica não consultam a população a respeito de medidas para a administração da economia, autoridades da área de segurança não deveriam se respaldar na opinião de pessoas não preparadas para definir a política de segurança, ainda mais quando essa política não mostra resultados", afirmou Sento-Sé.
Fonte: Agência Estado.
E olha que isso é estatística de abril. Estamos em julho hein.

Essa matéria que coloquei acima é interessante em diversos aspectos, mas a parte que eu mais gostei foi quando foi dito na matéria que a sociedade de classe média alta sempre apoiou as ações truculentas e excessivamente violentas da polícia, ou seja, a classe média alta sempre foi a favor da tática de extermínio (de pobre somente). E isso é a mais pura verdade. Só que agora até a classe média alta está sofrendo as conseqüências. Ironias do destino. O mundo gira não é a toa!
Há alguns anos atrás a polícia subia a favela, desrespeitava e matava várias pessoas e quem ligava? Só o favelado ligava, pois ele era o único que estava lá e que sofria com tudo aquilo. No asfalto as pessoas eram alertadas das barbáries que a polícia cometia na favela, mas os burgueses pensavam assim: “ah, os favelados estão reclamando? Foda-se eles. Na favela só tem ladrão mesmo, tem que morrer é todo mundo. A polícia está certa”.
Só que com o passar dos anos a situação mudou.
Como diz o Bill: a violência da favela começou a descer pro asfalto. E aí tudo mudou.
Pessoas começaram a morrer vítimas de abuso policial. Até aí nenhuma novidade. Só que essas pessoas que passaram a morrer já não eram mais faveladas. Eram os ditos “cidadãos de bem”, eram as pessoa idôneas e corretas que não podiam ter a sua paz abalada de forma alguma. Mas a paz se abalou!
Hoje acompanhamos notícias do tipo: “polícia mata filho de advogado”, “polícia mata filho de juiz”, “polícia mata criança de bairro nobre”. As pessoas hoje se chocam com isso.
Mas quem se chocava quando as notícias eram apenas: “polícia mata criança de cinco anos na favela”, “polícia mata mulher grávida que subia a favela”, “polícia faz chacina e mata 30 em vigário geral” “polícia faz operação policial as quatro da tarde e três crianças morrem ao sair do colégio”, quem se importava com isso? Só as próprias vítimas ou parentes das mesmas se chocavam.
Até então era normal esse tipo de notícia, o cachorro morder o homem já não importava mais, o povo dava atenção quando o homem mordia o cachorro. Favelado morrer não era novidade e nem era algo que comovia a população num geral, sempre foi assim e sempre vai ser, e é aí que a sociedade erra e toma um tapa na cara quando não é o favelado a vítima. E os jornais matinais estampam em seus tablóides hipócritas notícias que escondem obscuros interesses.

Atualmente a polícia carioca fuzilou “acidentalmente” um carro de uma família que eles “pensaram” ser bandidos. Reparem a incoerência, como alguém pode FUZILAR algo por engano?
É a velha tática policial que o favelado já conhece faz tempo: atira primeiro pra depois perguntar. O pobre já conhece essa lei faz tempo, de trás pra frente, mas agora a lei está abrangendo outras áreas, afinal, lei é pra todos né! Pelo menos assim diz a Constituição.
Nesse caso que eu citei, os policiais correram atrás de um carro que pensaram ser de bandidos e fuzilaram o carro com uma família dentro. E com essa ação mais do que despreparada mais uma vida se foi. Dessa vez a vítima foi o pobre João Roberto de apenas três anos. Mais um pequeno João se vai de forma trágica aqui no Rio.
Agora eu te pergunto: mesmo que o carro que os policias estavam perseguindo fosse o carro dos bandidos, a atitude correta seria o fuzilamento? Será que é assim que é ensinado no treinamento da academia policial? Porque se for, isso é tática de guerra e podemos decretar a guerra de fato e de direito.
O pior disso tudo é que o Secretário de Segurança do Rio de Janeiro José Mariano Beltrame, admitiu nesta segunda-feira o despreparo psicológico e operacional dos policiais militares. Para ele a ação foi “desastrosa”.
"Policiais não têm o direito de errar. No momento temos que ter critério suficiente para saber se vamos atirar, se não vamos, se a abordagem será feita com veículo ou não", declarou, em entrevista coletiva. "Faltou treinamento, faltou critério, faltou raciocínio, faltou preparação", falou.
Segundo ele, o número de tiros disparados contra o carro da mãe de João Roberto, Alessandra Amaral, foi um exagero. "A tragédia foi feita, mas não há explicação para tantos tiros naquele veículo, sendo que ele não era foco de perseguição", disse Beltrame.
O secretário afirmou que a informação que ele tem é de que a patrulha da PM estava trocando tiros com criminosos. "Em tese, eles disseram que foi fogo cruzado. Mesmo que não seja fogo cruzado, a polícia tem que saber em que e porque ela está atirando", completou.
O secretário, que lamentou o ocorrido e pediu desculpas à família de João Roberto, tentou desvincular a falta de preparo dos policiais à política de segurança pública. "De maneira nenhuma esse fato deve ser ligado à política de segurança. O policial que está na rua tem obrigação de agir e isso vai acontecer não importa a política pública", afirmou.
A polícia destrói uma família e o secretário de segurança só pede desculpas? Desculpas não trazem vidas.
Na atual situação que a polícia carioca se encontra a situação só tende a piorar.
Agora que a corporação está visada todos jogam os podres no ventilador e as coisas começam a aparecer como num passe de mágica.
O assunto polícia é um assunto complicado. São vários problemas num órgão só. Se eu for ficar falando de todos os podres e de todos os problemas que a polícia tem vai faltar espaço.
O curioso disso tudo é que se fossem os bandidos do morro ao invés dos bandidos de farda a população estaria clamando por pena de morte, redução da maioridade penal, ajustes nas atuais leis criminais ou o caralho a quatro.
E mais uma vez a sociedade erra em seus conceitos. Assim como errou lá atrás e hoje colhe os ásperos frutos.
Os “cidadãos de bem” precisam rever seus conceitos de polícia e bandido. Será mais bandido o que fere a lei ou o que usa da própria lei para o banditismo?
Algo precisa ser feito contra essa política de extermínio que mata mais inocentes do que culpados. Só que as coisas precisam ser feitas para ontem.
A época que só morria pobre já passou. Se hoje em dia a polícia ta matando playboy saindo de boate, imaginem o que ela faz com o pretinho da favela que ta voltando de madrugada do baile funk.
Bom, por hoje é só. A última vez que falei muito de polícia aqui no blog quase que acabaram com o blog. Mas eu não ligo não, se der caô eu faço outro.
Mas a verdade tem que ser dita e precisa ser dita.
E agora só me resta a pergunta: polícia ou bandido? Quem é quem eu não sei.


FALA TU:

Segunda-feira, Junho 30, 2008

Não menospreze a sua existência. Vamo viver!

Hoje vou fazer um post bem diferente, um post de reflexão. Reflexão para aqueles que acham que não são nada e que não podem fazer diferença no mundo.
Você acha que um mosquito não faz diferença no mundo porque é pequeno né? Mas experimente ficar num quarto trancado com um mosquito pra ver a diferença que ele faz.
Você pode meu irmão! Você pode minha irmã!
O ser – humano precisa ser mais adepto da reflexão para ter um conhecimento melhor da vida e assim viver melhor. Para quem quiser eu indico a filosofia Tao, você não irá se arrepender de conhecer essa incrível doutrina de vida.
O mundo anda muito tenso, as pessoas precisam refletir mais.
Vou deixar uma parábola aqui pra você que acha que não é ninguém.

O cortador de pedras
Sobre os pés de uma montanha rochosa, trabalhava um cortador de pedras.
Com um cinzel em uma mão e uma marreta em outra, ele britava as rochas com maestria e experiência.
Contudo, o Cortador de Pedras já estava cansado desta vida; queria ser importante e famoso.
Foi então que ele viu passar um homem rico e pensou em seu íntimo:
-- Quero ser como aquele homem rico.
Então como que num encanto no dia seguinte ele acordou e realmente se tornara em um homem rico, senhor de terras e negócios grandiosos.
Mas a sua condição provocava inveja entre seus empregados que chegavam até a atentar contra a sua vida.

Foi então que ele viu um juiz que por onde passavam todos o reverenciavam e o exaltavam, e pensou em seu íntimo:
-- Ele é mais importante que o homem rico, quero ser como ele.
Então como que num encanto no dia seguinte ele acordou e se tornara em um homem da justiça, que punia e cobrava ordem e conduta dos homens.
Mas a sua posição provocava temor entre as pessoas, que na verdade por medo, todos o bajulavam e bem diziam pela frente, mas diziam escárnios e injúrias por trás.

Foi então que ele viu o Imperador que por onde passava o povo louvava e homenageava-o:
--Ele é superior,- Pensou ele-pois certamente é amado pelo povo pela sua nobreza e virtude, quero ser um Grande Soberano.
Então como que num encanto no dia seguinte ele acordou e realmente se tornara em um homem que governava uma nação.
Mas ele precisava viajar pelos quatro cantos do reino e isso consumia muito o seu vigor.

Carregado em sua liteira, até que exausto pelo calor olhou para o alto viu a fonte de poder maior, o Sol.
--O Sol é superior a todos os seres do mundo, quero ser o Sol.
Então como que num encanto no dia seguinte ele acordou e realmente era o Sol.
Mas ele começou a provocar seca, castigar a terra, secar mares e rios, todos os seres morriam e os que sobreviviam praguejavam contra o Sol.
Foi então que uma Nuvem encobriu o Sol e ele pensou:
--A Nuvem foi a única coisa capaz de me deter , quero ser a nuvem.
Então como que num encanto no dia seguinte ele acordou e realmente se tornara numa Nuvem.
Mas ele começou a provocar fortes chuvas e enchentes, casas, florestas, plantações e povoados eram destruídos e todos que sobreviviam praguejavam contra a Nuvem.

Foi então que o Vento veio e dispersou a Nuvem e ele pensou:
--O Vento é mais forte e poderoso, quero ser o Vento.
Então como que num encanto no dia seguinte ele acordou e realmente se tornara no Vento.
Mas o seu vento era forte demais, que começou a destruir florestas, barreiras, enfurecia o mar, casas desabavam e todos que sobreviviam aos seus tufões e furacões praguejavam.

Foi então que ele viu que a única coisa que permanecia em pé era uma gigantesca montanha de rocha:
--Eis o poderoso de todos os poderosos, nenhum homem, nem sol, nem chuva e nem vento pode abalar o seu vigor, quero ser este gigantesco penedo.
Então como num encanto no dia seguinte ele acordou e realmente se tornara na fortíssima montanha rochosa.

Finalmente estava satisfeito consigo mesmo e nada lhe podia subjugá-lo. Mas subitamente sentiu-se aos poucos se desmoronar e se fragmentar, o que estava acontecendo com ele?

Quando ele olhou para baixo, aos seus pés, trabalhava um simples homem Cortador de Pedras.

Não menosprezes a sua existência.
É por desprezares vossa condição que desgosta de vossa existência
Tao Te Ching, cap. 72, Lao Tzu.

Conheçam o taoísmo.


E então, vai ficar aí reclamando da vida? Vamo viver!
Não pense que você não tem importância, que não é poderoso e que não pode fazer a diferença, pois você pode sim.
Valorize-se. Seja você mesmo. Não menospreze a sua existência.

Agora vamo de rap...
Inquérito 2008 no pedaço. Um segundo é pouco.

Música: Vamo viver.
Artista: Inquérito.


Aproveite o tempo chega de chorar
Corre que o relógio nunca vai parar
Depois não adianta você reclamar
Vamo lá, vamo lá
Aproveite o tempo chega de chorar
Corre que o relógio nunca vai parar
Depois não adianta você reclamar
Vamo lá, inquérito

Vou te falar um barato, escuta aí, tenha o dom
Sem essa fita de ta ruim, mas ta bom
Nada de ficar esperando o garçom te trazer na mão

E nem tudo vai ser filé mignon, não
Não esqueci, o rap ensinou, aprendi
Fui resistente, de frente bati
Eu entendi que é cada um por si
Nunca sobra ninguém

Se é tudo nosso cadê nossa cota
Hein, ta com quem?
Sumiu, desapareceu, será que vai vim?
A vida é loca olha aí, não espera do céu cair
Que nem um esporte, azar ou sorte
Tem os fortes e os fracos
Barato é loco? Tem que ser mais loco que o barato
Ficar esquentando a cabeça. Pára!
Um dia o tempo ainda joga tudo na sua cara
Vai à luta truta, Deus sabe de quem é a culpa
Ficou bem mais fácil depois que inventaram a desculpa


Inquérito, vamo viver, vamo viver...
Inquérito, vamo viver, vamo viver...
Inquérito

Tem que brigar, mas não esquece de amar
Sangue bom, e quando perder não perde a lição
Abraça teu pai, tua mãe, diz que você ama eles
Fazer o bem não é vergonha
Tenta, pelo menos às vezes
Tem que sorrir, ser feliz sim, e muito
Só que não da pra achar graça em tudo
Não vai morrer pelo sonho da joalheria
Nem se contentar só com o sonho da padaria

Malandro é cuíca que chora e não derrama uma lágrima
O estomago que ronca e não dorme por nada
A vida aqui é pra quem topa qualquer parada
E não pra quem pára em qualquer topada


Inquérito, vamo viver, vamo viver...
Inquérito, vamo viver, vamo viver...
Inquérito

Acredite sonha não é inútil
Muito amor, muito amor
Como o Senhor ensinou
E por mais que o mundo diga não
Passa por cima da dor como um rolo compressor
Demoro mano
Construir, repartir, não olhar só pra si
Ser feliz...

Inquérito
É sua vez, então vem viver
Vem viver

Aí, a minha esperança é imortal
Né não tom Zé?
Imortal!
Sei que não da pra mudar o começo
Mas nós vamos mudar o final
Vamo viver mano!

Vamo viver, vamo viver...
Vamo viver, vamo viver...
Inquérito, vamo viver, vamo viver...
Vamo viver, vamo viver



Pra fazer download desse som e de outros sons inéditos do Inquérito acessem o site do Rap nacional clicando AQUI.

FALA TU:

Domingo, Junho 22, 2008

No capitalismo, tudo está a venda.

Texto original: www.fazendomedia.com
Por: Marcelo Salles.



A recente tragédia envolvendo, mais uma vez, residentes de comunidades carentes no Rio, onde militares do Exército Brasileiro entregaram três jovens do morro da Providência nas mãos de traficantes de uma outra favela para serem torturados e executados, revela que há muito caiu por terra o mito da incorruptibilidade das forças armadas. Claro, haverá aqueles que se apressam em afirmar que se trata de um "caso isolado", aliás, argumento esse o preferido pelas autoridades e pela mídia burguesa toda vez que surgem denúncias de envolvimento de policiais em crimes, numa tentativa de proteger as sacrossantas instituições da repressão. O que vemos, no entanto, é que, constantemente, vêm à tona notícias dando conta do apoio logístico de militares brasileiros ao tráfico de drogas. E a freqüência destes incidentes nos faz pensar que estão longe de ser exceções à regra. A corrupção é a maior, a mais vigorosa e consolidada de todas as instituições brasileiras, e nem todo o rigoroso treinamento e a hierarquia da caserna poderá livrar soldados ou generais de suas armadilhas, porque no sistema capitalista tudo está a venda, inclusive a honra.
Vale lembrar que os abusos dos militares no Morro da Providência foram denunciados em primeira mão pelo jornal A Nova Democracia, em sua edição de janeiro deste ano. Ou seja, há cinco meses já foi tornado público o que agora as corporações de mídia parecem ter descoberto. “Invasão de domicílio, revistas indiscriminadas até em crianças, perda de privacidade e queda no movimento do comércio local são as queixas mais recorrentes”. O editor deixou claro logo no subtítulo a natureza política da intervenção: “Uma articulação entre os governos federal, estadual e municipal promove o aumento das ações violentas contras os espaços populares no Rio de Janeiro”. Precisava esperar morrer alguém para que os “grandes” jornais da cidade entrassem na pauta? Devemos acreditar na súbita sensibilidade das empresas capitalistas de imprensa ou será que um ou mais veículos estaria aproveitando a proximidade das eleições para atacar o candidato que não lhes agrada, por suposto o mesmo que patrocina ocupação do Exército?



Por: Bruno Rico.

Aproveito esse texto e esse título pra ratificar que no capitalismo, realmente, tudo está a venda, tudo!
Como se já não bastasse a “boa” e velha polícia, agora é o exército que presta serviço pra bandido. Tornando-se assim pior do que o bandido.
A guerra do tráfico, assim como todas as guerras, é muito suja. Instrumentos da lei são usados para infringir a própria lei (coisas do Brasil).
É traficante que paga soldado pra seqüestrar bandido de quadrilha rival; é facção criminosa que paga polícia pra “sufocar” a quadrilha rival, pra ela ficar mais fraca, e assim ficar mais fácil a invasão do morro; é policial que trabalha pra traficante; é soldado que trabalha pra traficante. Ou seja, está constituído o caos as margens da lei formando assim um campo de batalha.
Todos esses casos que mencionei não são de hoje, alguns só entraram em evidências agora porque a grande mídia ficou em cima e conseqüentemente todos ficaram sabendo de alguns absurdos cometidos pelas autoridades militares. Mas o favelado já conhece essa realidade faz tempo, já está até cansado dela.
O que acontece hoje em dia é que quem deveria combater a violência está alimentando a mesma. E com isso o ciclo de coisas ruins nunca acaba. E ainda tem gente que pergunta por que a cidade está tão violenta. Por que será?
O que me deixa mais puto nisso tudo é que na favela o morador é sujeito a todo tipo de humilhação e quando ele vai reclamar ninguém dá ouvido, aí precisa morrer alguém, precisa a mídia falar pras coisas realmente acontecerem. Ou seja, as coisas na favela só são realmente válidas quando ganham o âmbito de tragédia. Até porque se é tragédia é ibope, e se dá ibope a mídia está em cima, e se a mídia está em cima isso se torna o assunto do momento, e quando algo está em evidência tudo é feito em prol daquele caso. O problema é que depois o caso é esquecido e as coisas voltam ao que eram antes e no final nada muda. Quando na verdade as autoridades deveriam aprender com os erros para evitar problemas futuros. Mas não adianta, eles (autoridades) insistem em apertar a mesma tecla.
Esse lance de só se dar ouvidos pro favelado quando ele está na televisão me revolta, pois o rico da zona sul não precisa estar na TV para ser ouvido e posteriormente atendido. Depois ainda tem gente que reclama quando o favelado desce o morro pra fazer arruaça no asfalto.
O dia que o povo for realmente ouvido e atendido, protestos já não serão mais necessários. E todos ganham com isso.
A questão da violência no Brasil, mas especificamente no Rio de Janeiro, não é tão difícil assim de se resolver como se pensa. Só que enquanto houver jogo de interesses por parte de políticos e autoridades militares a situação não tem previsão de melhora, pelo contrário.
O governador é aliado do chefe de segurança que tem acertos com a bandidagem de determinado local ou determinada facção. O chefe de estado tem contas obscuras regadas com dinheiro ilegal do tráfico. Juízes são comprados pelos barões do tráfico.
Existe alguma chance de haver realmente justiça assim?
E todos nós sabemos que sem justiça não há paz. E sem paz fica difícil de viver.
O jogo é sujo, as peças do tabuleiro nem sempre seguem as regras corretas do jogo. As trapaças são normais nessa jogatina em busca de poder e dinheiro.
Há alguns anos atrás quem sofria com essa violência toda era só o pobre. Mas hoje a coisa mudou, todos sofrem, e aí todos se incomodam.
Se fosse em outro tempo, ninguém iria ligar pra essa coisa de exército matando favelado, a maioria da população quer mais é que se foda mesmo. Mas hoje em dia isso é de interesses de todos, porque as autoridades sabem que se algo não for feito o povo vai se rebelar, a massa vai descer o morro, e quem vai sofrer é a população que mora cá em baixo no asfalto. E os “dignos” cidadãos de bem da cidade não podem ficar a mercê da violência urbana criada pelos favelados. E diante dessa ameaça, algo precisa ser feito, mesmo que por enquanto.
Mas depois que a poeira abaixar tudo voltará ao normal. As casas nas favelas continuaram sendo arrombadas, as crianças continuaram a sofrer humilhações e o pobre trabalhador vai continuar tomando tapa na cara quando subir na favela tarde da noite.
Esse é o meu Brasil que alguns insistem em ter orgulho.
Só é válido lembrar que o lema do exército é “Braço forte. Mão amiga.”
Os três rapazes que morreram nunca irão esquecer o “braço forte” e a “mão amiga”.
Hasta.


FALA TU:

Domingo, Junho 01, 2008

Vamos falar um pouco de música.

Primeiro leiam esse texto muito interessante que retirei da revista Carta Capital. O Texto fala basicamente de MPB e é muito esclarecedor sobre a música brasileira num todo, inclusive cita o rap.
Se você gosta realmente de música, e gosta de entender sobre o assunto leia esse texto. Afinal rap é música e é derivado de outras vertentes musicais.

Música popular? – Por Pedro Alexandre Sanches (Carta Capital)

Era uma vez uma sigla chamada MPB. Designava uma tal “música popular brasileira” e se tornou moeda corrente a partir dos anos 1960, quando adotada por toda uma geração universitária de compositores, cantores e admiradores. Décadas adiante, a sigla pouco a pouco se encastelou. Isolou-se de gêneros supostamente “inferiores”, blindou-se como num condomínio fechado de bairro nobre. Entrou em crise, até de identidade. Quem faria a MPB de 2008? O rococó Djavan ou a simplória Banda Calypso? O bissexto João Gilberto ou a onipresente Ivete Sangalo? O que seria MPB em 2008? O banquinho-e-violão em redutos exclusivos do eixo Rio-São Paulo ou o pop que corre por fora da indústria e lota arenas nas periferias do Brasil?

A resposta seria tudo isso ao mesmo tempo, caso a sigla MPB tivesse resguardado o alcance do pomposo nome composto. Talvez não seja quase nada, tal é a tendência ao confinamento que passou a acompanhar os termos “música”, “popular” e “brasileira”, quando colocados lado a lado. “Criou-se esse termo MPB como se fosse um tipo de música, o que acho inadequado, apesar de estar consagrado”, afirma o historiador cearense Jairo Severiano, autor de um livro recém-lançado que, por sinal, leva no título o termo fatídico, Uma História da Música Popular Brasileira das Origens à Modernidade (Editora 34, 504 págs., R$ 64). “É uma sigla. Deveria ser usada para designar a música de qualquer gênero, moderna ou antiga, boa ou ruim. Mas passou a ser a música popular brasileira de elite.”

Hoje automático, o uso da expressão perde de vista o fato de que a sigla é uma invenção, e que nem sempre houve sentido em usá-la, ou mesmo em discriminar a música entre “popular” e “erudita”, como se fossem pólos opostos, incompatíveis. O estudo de Severiano parte do compositor mulato Domingos Caldas Barbosa, cantor de modinhas e lundus para a aristocracia de Portugal nos anos 1700. Não era rotulado de “popular” ou “erudito”, mas, como relata Severiano, atraía manifestações iradas como a do historiador português Antônio Ribeiro dos Santos: “Eu não conheço um poeta mais prejudicial à educação (...) do que este trovador de Vênus e Cupido”.

Segundo Severiano, a querela entre “populares” e “eruditos” já era pronunciada na década de 1930, época de avanço do cinema falado, rádio, disco e a primeira grande geração de músicos “populares” no Brasil, de Silvio Caldas e Carmen Miranda. “Fui adolescente nos anos 40, e na minha família havia um preconceito terrível contra a música popular, como havia na classe média e principalmente na alta. Só consideravam música o que era de concerto. Esse ente já nasceu com a conotação de inferioridade perante a música clássica.”

Espezinhada pelos ditos “eruditos”, a música “popular” iniciou sua própria trajetória de elitização em 1958, com o surgimento da bossa nova. Tom Jobim incorporou Villa-Lobos, João Gilberto absorveu o jazz e os universitários dos anos 60 deram partida à sigla MPB, que mais tarde hostilizaria subliminarmente subgêneros “menores”, como samba, rock, música caipira ou romântica. A consolidação de guetos levou criadores e consumidores a fazerem vista grossa a “detalhes” fora de lugar nas gavetas classificatórias, como a sofisticação contida em gêneros “populares” como samba e choro, ou a banalidade inerente a muitas letras da bossa nova.

De acordo com Severiano, muito da MPB operante ainda hoje tem raízes no samba-canção dos anos 50, em duas vertentes cada vez mais distanciadas uma da outra. A “moderna” nasceu da obra então acariocada do baiano Dorival Caymmi e de nomes como Lúcio Alves e Dolores Duran. Originou a bossa nova, que derivou para a canção de protesto, a tropicália e a MPB. A vertente “tradicional”, de autores como Herivelto Martins e Lupicinio Rodrigues, seguiria com os cantores Anísio Silva e Altemar Dutra e redundaria, segundo ele, na música “cafona” e “brega” das décadas seguintes.

A distinção oculta um curioso paradoxo. Cafonas e bregas (e sertanejos, pagodeiros, axezeiros, funkeiros) formulariam a música efetivamente mais difundida do Brasil. Mas o termo “popular” seria seqüestrado por segmentos primeiro mais sofisticados, depois mais herméticos e por fim menos populares.

Diretor da gravadora paulista Trama, João Marcello Bôscoli sai em defesa do “P” de MPB: “Entendo o termo ‘popular’ não como comercial ou de massa, mas como não erudito. É sabido que a maioria dos artistas da MPB não tem compromisso em construir hinos à multidão”.

Ele lamenta a dissolução da sigla: “A bossa nova foi feita e depois não houve prosseguimento. O mesmo aconteceu com a tropicália. A indústria fonográfica perdeu a bossa e a tropicália, e também a MPB. Mas a indústria não é diferente do resto do País. Somos um país que não consegue construir”. E defende a permanência do termo: “MPB é um nome legal, embora hoje lembre música de festival, ou sofisticada, feita pela elite daqueles artistas que a gente sabe quais são. Mas vale a pena pegar a sigla e jogar fora? Só se vai gastar dinheiro para criar outro nome”.

O jornalista e escritor paulista Zuza Homem de Mello sustenta que são menos distintos atualmente os limites entre MPB e música clássica: “A barreira é muito menor. A música de Luiz Tatit ou Guinga aproxima-se muito mais da de Villa-Lobos ou Radamés Gnattali que daquilo que hoje tem apelo pop, que é Ivete Sangalo, Ana Carolina. A atração delas é numa outra região, às vezes você nem sabe o que as letras querem dizer”.

Ele situa a MPB perto do jazz, como música para ser ouvida, e não dançada. E mais ligada, talvez, dos gabinetes que das multidões. Outro paradoxo, pois o jazz nasceu dançante, “popular”, como o próprio Zuza esmiúça em Música nas Veias (Editora 34, 360 págs., R$ 46). A MPB talvez repetisse esse destino, de lenta viagem da explosão comercial à conversão em peça de museu. E os salões que já tocaram jazz, gafieira e rock hoje tocam funk e tecno. “A música dançante sempre foi mutante. O que é hoje não será amanhã”, avalia.

O antropólogo Hermano Vianna reflete sobre a elitização da música “popular” com indagações: “Será que a MPB não faz mais canções populares? Mas, se o CD da Vanessa da Mata é MPB, aquela canção com Ben Harper (um pop de alta rotação no rádio) não é popular? E será que MPB significa alguma coisa ainda? Significa o quê?” E arremata: “A quem interessaria uma definição clara de MPB? Às lojas de discos que não mais existem?”

A cantora Olivia Hime, diretora da gravadora carioca Biscoito Fino, diz receber diariamente cinco discos de jovens que afirmam fazer MPB. “Querem dizer que fazem música nos moldes de Chico Buarque e Edu Lobo, e não axé, rock ou hip-hop.” Ela reconhece os paradoxos da sigla: “É contraditório. Essa música passa a não ser popular, pois não é mais cantarolada”.

Para quem não se ajusta bem aos cânones da MPB, o sentimento parece ser de inadaptação. “Existe uma separação, né?”, pergunta a compositora e cantora carioca Teresa Cristina, próxima ao samba. “Leio em notinhas e pesquisas por aí, ‘Chico Buarque, compositor’, ‘João Nogueira, sambista’. ‘João Bosco, compositor’, ‘Nei Lopes, sambista’. Quem escreve nem se dá conta da separação.” Preocupada com a música feita mais “para separar” que “para unir”, acrescenta: “Sinto que há uma resistência de assumir o samba como MPB, que as pessoas gostam dessa divisão como idéia de sofisticação. ‘Tal coisa não é mais samba, virou MPB porque se sofisticou’”.

“Essa sigla me incomoda muito, porque o Brasil que vejo é muito diferente. A MPB vende um Brasil que não é o Brasil, com papel celofane, sofisticado”, reivindica o paulista Leandro Lehart, ex-integrante do grupo de pagode Art Popular e entusiasta da mistura de samba com outros gêneros. “MPB é como se fosse um clube, a que algumas pessoas têm acesso e outras, não. Ouvi de radialista que minha música não toca em rádio de MPB porque sou pagodeiro, ‘as pessoas vão se incomodar de ouvir aqui’. Não faço questão de fazer parte dessa sigla, ela não acrescenta nada. Meu trabalho é popular, de massa”, afirma, do alto de agenda de shows lotados Brasil afora, nos quais vende o CD Mestiço, lançado artesanalmente, sem gravadora.

“Minha geração usou o samba porque pandeiro é mais barato que bateria, um cavaquinho custa menos que um contrabaixo. Sou fã de Raul Seixas, James Brown, Djavan, e economizava para comprar os tamborins de plástico que o Mappin anunciava na tevê”, completa, remetendo à cisão social por trás das músicas.

“Nunca na minha vida usei esse termo. Podem me colocar em qualquer outro lugar, só não quero me localizar na MPB”, afirma o paulista Luiz Tatit, cantor, compositor, acadêmico e escritor. Autor de música elaborada na tradição de Noel Rosa e Lamartine Babo, ele explica a aversão ao termo: “Para mim, MPB tem uma conotação muito conservadora. Denota algo que parece de qualidade, mas é estéril, porque não pode se misturar, não pode ser rap, nem reggae, nem rock”.

Refere-se a uma “atitude erudita” no topo da MPB e faz ressalvas ao modo como se costuma discriminar canção “sofisticada” de “comercial”. “A música brega é muito mais acessível e tem sempre um grande público, uma perenidade absoluta. A MPB se encaixa num segmento de elite, como se fosse mais elaborada. E não é, porque, quanto à melodia, é tudo mais ou menos a mesma coisa. A avaliação da qualidade muitas vezes está fora da música, é ideológica.”

Zuza Homem de Mello faz avaliação de ouvidos abertos ao futuro: “Tenho notado que, no interior do Brasil, há manifestações de jovens voltados à música local, ao folclore, de uma seriedade incrível. São violeiros de um preparo técnico como nunca vi antes. No Rio e em São Paulo, vivemos cercados, numa redoma, e não vemos nada disso”.

O campo de força da chamada “qualidade” musical foi tensionado de modo dramático pelos tropicalistas de 1968. “Minhas tias diziam: ‘Esse negócio de vocês não é música, é ritmo’. Para elas, éramos a barbárie”, diz o baiano Tom Zé. E lembra um episódio do festival de 1969: “Tínhamos o gosto pela música caipira, que não se podia contar a ninguém. Quando eu e os Mutantes fizemos 2001, uma música caipira moderna, ela foi apaixonadamente odiada por Hebe Camargo. Ela não podia nem ouvir, porque era o passado que não queria lembrar. A platéia reagiu como Hebe, e 2001 teve primeiro lugar no júri e último no júri popular”. A dissociação acontecia também na cabeça do público, que afinal podia rejeitar 2001 porque era “caipira”, ou porque era “moderna”, ou por ambos os motivos, espalhados por um salão onde a música tentava simular uma democracia, em plena ditadura.

Dois anos antes, em 1967, o bossa-novista Sérgio Ricardo quebrara o próprio violão durante a apresentação do samba Beto Bom de Bola, vaiado por uma platéia participativa e radical. Era tempo de guerra e, como assinala Tom Zé, “pela teoria da guerra, países vizinhos sempre brigarão”. A MPB iniciava a viagem da glória ao gueto e os estilhaços das batalhas de então se fazem sentir no território de facções beligerantes que em 2008 a música brasileira ainda não consegue deixar de ser.

CONTINUA...

FALA TU:


CONTINUANDO...
Agora vamos falar de rap. Seria o rap uma música popular?


Agora quem vos fala é o Bruno Rico.
Primeiramente eu tenho uma pergunta a fazer pra você. É, você mesmo que está lendo isso aqui agora. Você gosta de música pra ouvir ou pra dançar? Ou seja, música dançante ou música versada? Ou os dois? Não precisa responder pra mim não, responda para si mesmo.
Eu particularmente gosto de aliar a musicalidade com o verso, ou seja, tem momento pra tudo, mas eu gosto mesmo é da música com boa letra e bom som.
Mas é verdadeira a afirmação de quem diz que faz música com uma caixa de fósforos. E porque não?
Qualquer um pode fazer música, qualquer um mesmo. Ludwig van Beethoven era surdo e é considerado até hoje um dos gênios da música.
Tem muita gente que gosta de rap mas não gosta de conversar sobre música, e eu não entendo isso. Parece que o cara ta cometendo um crime se ele falar sobre musicalidade, se ele comentar sobre um instrumental ou uma base. Muitos não gostam de falar sobre o assunto, se limitam apenas as letras.
Mv Bill inseriu praticamente uma orquestra em seus shows e muitos não gostaram, falaram que ele retirou a essência do rap, que perdeu a identidade. Mas até que ponto devemos respeitar as barreiras dos estilos? Até que ponto devemos nos limitar ao Dj e ao mc?
Música é algo complicado a se discutir, mas precisa ser discutida, só assim a entenderemos.
No texto acima que fala sobre a MPB é claro e explícito que a MPB é um conceito elitista e quando algo toma um outro nível já ganha o selo MPB. Será que veremos o dia em que o rap ganhará esse selo? Acho difícil, e isso também não importa, pois eu gostaria mesmo de ver o dia em que o rap virasse a verdadeira música popular da favela, do povo pobre de todo o Brasil. Se um dia isso acontecer as coisas nesse país iram tomar outro rumo. Porque ficar ouvindo créu não eleva o pensamento do meu povo em nada, pelo contrário.
Mas voltando a falar das variações rítmicas do rap...
Vivemos em um momento em que tudo se transforma e tem muita coisa por aí perdendo o seu estilo.
Será mesmo que o rap é bom e é rap só com o Dj e o mc?
Tem gente que fala que o rap nacional é revolucionário porque foi o primeiro movimento musical a falar de problemas sociais. E é aí que entra a importância de discutir sobre música, porque a pessoa que fala uma uma coisa dessas com certeza não sabe muito de música, e é preciso saber sobre um assunto antes de falar.
Quem fala que o rap nacional foi o primeiro movimento musical a falar de problemas sociais com certeza nunca ouviu falar de repente, embolada, baião, samba de terreiro ou até mesmo samba enredo. Inclusive o que se faz hoje no rap e muitos chamam de batalha de mc’s (free style) já é feito há muito tempo por nordestinos mais é chamado de embolada.
Caju e Castanha sempre demonstraram protestos em suas músicas. Bezerra da Silva sempre foi debochado e sempre contestou esse sistema de pobreza em que vivemos. Luiz Gonzaga sempre expressou em suas músicas as lamúrias do seu povo nordestino. Algumas escolas de samba sempre puseram sambas-enredos de protestos na avenida. Inclusive tem um samba da Mangueira que é bem nessa pegada de protesto que eu estou falando. Esse samba tem uma letra tão rica e tão completa que eu não posso deixar de colocá-lo aqui pra vocês verem do que estou falando.
O samba foi feito no ano que o Brasil completava 100 anos de Lei Áurea e tinha o nome de “100 anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão?” E em 1988 Jamelão cantava assim:

Será...
Que já raiou a liberdade
Ou se foi tudo ilusão
Será...
Que a lei áurea tão sonhada
Há tanto tempo assinada
Não foi o fim da escravidão
Hoje dentro da realidade
Onde está a liberdade
Onde está que ninguém viu
Moço, não se esqueça que o negro também construiu
As riquezas do nosso Brasil

Pergunte ao criador
Quem pintou esta aquarela
Livre do açoite da senzala
Preso na miséria da favela

Sonhei...
Que zumbi dos palmares voltou
A tristeza do negro acabou
Foi uma nova redenção

Senhor...
Eis a luta do bem contra o mal...contra o mal
Que tanto sangue derramou
Contra o preconceito racial

O negro samba, o negro joga a capoeira
ele é o rei na verde-rosa da mangueira


Essa letra aí seu eu não dissesse que era samba alguns iriam pensar que era rap. Pois a essência é a mesma.
Ou seja, o protesto, a reivindicação não é de hoje, só mudaram os estilos, as roupas, o jeito de falar e a musicalidade.
Isso é preciso saber e é preciso ser dito, pois muitas pessoas discriminam alguns estilos musicais sem saber que o estilo que ele curte hoje é descendente do que ele critica.
É preciso conhecer o passado para entender o presente e mudar o futuro. E essa frase serve para a música também.
Tem muita gente hoje ouvindo coisas que nem sabem o que é, e isso gera uma confusão em futuras gerações. A geração que está vindo aí por exemplo já não ouve mais rap, ouve hip hop. Sendo que não podemos ouvir hip hop, isso equivale a ouvir punk. Tanto o hip hop quanto o punk não podem ser ouvidos porque são movimentos, são culturas. O hip hip se enquadra dentro da black music, dando origem assim ao rap, e o punk se enquadra dentro do rock, dando origem assim ao punk-rock.
O Tupac cantava RAP e não hip hop. Os Ramones cantavam punk-rock e não punk. Pegaram o espírito da coisa?
Ou seja, existem estilos musicais que são apenas músicas, é a música e acabou, não existe nada além. Agora existem estilos musicais que são muito mais que isso, pois acima da música está uma cultura, um estilo de vida, um movimento, um idealismo. E é por isso que eu fico nervoso quando vejo alguém dizendo que gosta de ouvir hip hop.
Portanto coloquem isso na cabecinha de vocês, a black music tem vertentes. Na rádio vocês podem ouvir R&B, Rap, Blues, Pop, tudo isso junto, mas só não podem é ouvir hip hop, pois não tem como!
Muita gente acha que o rap (Rhythm and Poetry) nasceu nos EUA, mas ele é de origem jamaicana. Já o hip hop, esse sim nasceu nos guetos americanos.
Foi um DJ jamaicano chamado Kool Herc o responsável de levar o rap jamaicano para os guetos de Nova Iorque. Em Nova Iorque o rap jamaicano ganhou o “scratch” e assim nascia o rap mais americanizado, pois o da Jamaica era mais falado e menos mixado, até porque eles não tinham tais recursos. Isso tudo ocorreu nos anos 70. Pois somente nos 80 nascia o Gangsta rap, e foi esse estilo musical que influenciou a maioria dos rappers brasileiros, e é esse estilo que a maioria faz até hoje, e é esse estilo que eu mais gosto.
O Gangsta rap é caracterizado por falar do mundo das ruas, polícia, pobreza, violência e tráfico. E ganhou esse nome porque na época estavam em evidencias as gangues Bloods (sanguinários) e Crips (aleijados) ambas da Califórnia - Los Angeles. E é por isso que falam que o gangsta rap é originário da West Coast (costa oeste), pois as gangues eram de lá.
Pra quem não ta ligado nesse lance de West Coast é o seguinte: os EUA é divido por lado leste e lado oeste, e o rap americano tem seus berços em Los Angeles que fica do lado oeste, ou seja na West coast, e Nova Iorque que fica do lado leste, ou seja East coast. Alguns usam o termo coast e outros usam o termo side, coast de costa e side de lado. Lado leste ou lado oeste.
Como principal representante da história da West coast eu posso citar o Tupac e como princial representante da Esat side eu posso citar Notorious B.I.G. Tanto é que nos anos 90 esses dois fizeram as duas costas entrarem em guerra entre si e existem algumas brigas até hoje.
Um dos primeiros grupos a fazer o gangsta rap foi o N.W.A formado em 1986 pelo hoje já falecido Eazy-E, MC Ren, DJ Yella, Dr. Dre (hoje cantor e produtor) e Ice Cube (hoje cantor e ator)
Depois do N.W.A vieram muitos outros.
Já o hip hop tem como reconhecido o seu fundador Afrika Bambaataa, apelido de Kevin Donovan. Foi ele que aperfeiçoou a música do DJ jamaicano Kool Herc, acrescentando alguns toques de Soul e funk e batidas eletrônicas. Foi Bambaataa também que criou o Miami Bass que originou o que é hoje o funk carioca, pois o verdadeiro funk mesmo, o de James Brown, foi o que inspirou o Miami Bass.
Por incrível que pareça o funk carioca e o rap nacional tem a mesma origem, porém um tomou um rumo e o outro tomou outro bem diferente. Coisas da vida. Outro dia eu comento sobre isso também.
Podemos dizer então que o primeiro elemento do hip hop foi o Dj, pois foi ele quem criou a base; depois acrescentaram o Mc para versar em cima da base; depois veio a dança (break) com os b-boys e b-girls e pra dar um toque artístico e ao mesmo tempo de protesto a isso tudo surgiu o grafite. E assim se constituía e nascia o hip hop.
Aqui no Brasil os primeiros adeptos do rap foram Thaíde, Dj Hum, Racionais Mc’s, Doctors MC’s entre outros. E todos eles eram influenciados pelos rappers americanos da época de 80 como Public Enemy, Run DMC, N.W.A, Ice T entre outros.
Ou seja, o som nunca morre e não pode morrer. Os que foram influenciados no passado hoje influenciam e fazem gerações.
E é preciso separar o gangsta rap dos demais.
Racionais, DMN, Realidade Cruel, Face da morte, GOG, Consciência Humana, Facção Central, Inquérito e muitos outros que seguem esse estilo aí fazem Gangsta rap, ou seja, o rap de protesto, o rap que tem um propósito, o rap contestador. E isso precisa ficar bem claro, pois Cabal, Marcelo D2, Mag e outros que seguem essa pegada aí, atém fazem rap (infelizmente), mas não é o gangsta rap.
E é por isso que eu digo que não é o rap que não é moda, é o gangsta rap, e esse nunca será, até porque o dia que ele entrar na moda não será mais gangsta rap.
É preciso entender que a música gera vertentes, ou seja, estilos novos, até porque no mundo nada se cria, tudo se copia, já dizia o filósofo. Muitos estilos já existem derivados de outros e muitos outros ainda estão por vim, é o derivado do derivado, e com isso a essência as vezes se perde pelo caminho.
A maioria dos estilos musicais possui um pouco da essência de um outro estilo e assim vai. E foi por isso que eu fiz questão de escrever esse texto, pois você precisa saber o que está ouvindo, o porquê de estar ouvindo e da onde veio o que você está ouvindo, e pode ter certeza que isso é muito importante.
Você não gosta de saber da onde veio sua comida? E por que não saber da onde veio a sua música?
Por hoje basta. E viva a diversidade da música!
Hasta.

FALA TU:

Sábado, Maio 17, 2008

Mídia brasileira e povo brasileiro. Sinônimos de hipocrisia.

Há mais de 40 dias os aparelhos de TV dos brasileiros tornaram-se mesas de autópsia onde a imprensa burguesa suja vem eviscerando o cadáver de uma criança no chamado "Caso Isabella", num verdadeiro festim de sangue. A audiência acompanha dia-a-dia cada detalhe sinistro, cada capítulo dessa novela macabra. E os telejornais continuam em seu "milagre" da transformação de sangue em audiência. Em breve os televisores não mais estarão nas salas e sim nos banheiros, para facilitar o acesso do telespectador em caso de vômito.



Por outro lado, no Rio de Janeiro, nos deparamos com declarações ditas por autoridades do tipo: "A polícia é o melhor inseticida social". Ou seja, o que eu concluo com isso tudo: a sociedade brasileira se sensibiliza com o que é mais exposto e com o que está na "moda". Pobres estão morrendo nas favelas? Estão sim, mas a sociedade não se importa, querem mais é que se foda, pois a TV noticia isso todo dia e no outro dia o assunto já é outro. E a favela não interessa a ninguém, somente ao favelado. Agora quando um assunto é massificado todo dia as pessoas se comovem assustadoramente, de forma hipócrita, mas se comovem. Já que ta todo mundo se "comovendo" eu vou me "comover" também. Esse é o pensamento da sociedade brasileira em sua maioria.


E você, apóia o "inseticida social"?

Esse "caso Isabella" já encheu o saco, essa é que é a verdade. Quando o pai e a madrasta foram presos eu vi uma revolta social incrível, uma coisa fora de série mesmo, a polícia teve trabalho. Era gente querendo bater ou até mesmo matar os dois. O Brasil parou! Só que o que eu acho curioso no povo brasileiro é que eu não vejo essa revolta toda em certos momentos.
Eu não vi ninguém querer matar o Collor quando ele roubou o Brasil na cara de pau; surgiram sim, uns "caras pintadas" aí que acham até hoje que foram eles que tiraram o presidente do poder (coitados!). Eu não vi ninguém querer matar o Renan Calheiros quando ele usou dinheiro do povo para fins próprios. Ou seja, a revolta do povo é estranha demais, ela é canalizada em setores que não importam, ou importam pouco. O “caso Isabella” foi bárbaro? Foi. Foi cruel? Foi. Mas chega desse sensacionalismo todo. Vamos deixar a pobre criança descansar em paz!
Quantos e quantos casos bárbaros e cruéis temos nas favelas e nas áreas pobres das grandes cidades e ninguém fica sabendo porque a mídia não ta nem aí e a sociedade tão pouco.
Será que se a pequena Isabella fosse jogada de uma janela na favela o Brasil estaria comovido desse jeito?
A polícia no Rio de Janeiro é chamada de inseticida social e poucas pessoas se comovem com isso. O pobre é que se foda nesse país!
A verdade é que aqui no Brasil as tragédias têm classe, e se as tragédias forem da classe pobre poucos vão se preocupar.
Quem rege essa novela sanguinária e perversa é a mídia, ela abraça o que a convém, só que o culpado maior é o povo. O povo aceita esses domínios e gasta forças se revoltando com o que a mídia impõe e não se revolta com o que precisa realmente.
O mais curioso disso tudo é que o próprio povo pobre se comove mais com tragédias de outras classes do que com a própria tragédia e com as tragédias que o cercam todo dia. Talvez isso ocorra porque as pessoas já estão acostumadas com as mesmas barbáries, e quando acontece coisa, ou melhor, crime novo, isso vira o "caso do momento" e todo mundo abraça, ou pelo menos quase todo mundo, porque eu to fora dessa.
Esse tipo de comportamento do povo pobre brasileiro explica também o fanatismo pelas novelas. Todos sabem que a novela é o entretenimento preferido do pobre, e você já se perguntou por quê? Muitos dizem que estão cansados de ver pobreza todo dia e por isso assistem as telenovelas, pois nelas as coisas são mais bonitas e perfeitas, ali está representado o universo do rico e não do pobre, por isso o grande encanto da massa pobre brasileira pelas novelas. Porque quem gosta de ver novela é pobre, rico que é rico ta viajando ou curtindo o dia pra no dia seguinte explorar esse mesmo pobre que chegou cansado no trabalho porque passou a noite toda acompanhando uma favela fantasiosa na novela no plin plin.
Diante desse cenário contraditório de revolta brasileira regido pela nossa mídia que apóia um inseticida social chamado por muitos de polícia, eu achei um texto muito interessante e vou colocar aqui pra vocês.
Analise, reflita e pergunte para si mesmo se a sua revolta está direcionada para o alvo certo.
O cara que te paga salário mínimo, e te trata mal no trabalho desvalorizando o seu serviço não é o pai da finada Isabella.
Aproveitando o ensejo...Desligue a TV e ligue o cérebro.


Contra a violência da mídia, a Revolução*

Não venha com esse papo de que a pobreza é violenta, porque se assim fosse você não alcançaria a esquina. Quando ouço perguntas sobre a “ordem ubana”, geralmente conectadas pelo chavão “o que fazer com as favelas?”, penso em duas coisas:
1) O coitado que faz uma pergunta dessa se informa exclusivamente pelas corporações de mídia;
2) A violência é anterior à atual conformação das cidades. O sistema capitalista foi constituído de forma extremamente violenta, seja pelas atrocidades cometidas pelos “conquistadores”, como o carniceiro espanhol Francisco Pizarro, que premiava seus soldados à medida em que eles conseguiam atravessar mais índios numa mesma espadada. Ou como a expropriação de terras de camponeses na Inglaterra, movimento que passou à História com o doce nome de “cercamento dos campos”.
E o que faz a propaganda oficial? Associa capitalismo à prosperidade, oportunidade, democracia. E o mais instigante nisso tudo é que o faz sem usar o termo “capitalismo” ou a nomenclatura do campo ideológico que o sustenta, qual seja, “direita”. Por outro lado, as alternativas a este sistema são omitidas ou desqualificadas, como podemos notar pela associação constante entre socialismo e ditadura. Ou entre anarquismo e baderna.
E é por isso que as corporações de mídia mentem o tempo inteiro. Não em numa reportagem ou outra, num comercial ou outro, numa novela ou outra. É sua própria essência quem está corrompida. Em nome da manutenção deste sistema, não conseguem publicar que a riqueza é produzida por todos; em vez disso, esforçam-se para desqualificar o valor da base de trabalho. Ao mesmo tempo elogiam o dinheiro e seus donos, mesmo diante do tratamento desumano que empregam contra os trabalhadores (baixos salários, péssimas condições de trabalho, pouca ou nenhuma garantia social e etc.).
O massacre midiático é tanto que de um lado temos capas e mais capas de revistas a estampar executivos sorridentes e, de outro, vemos o trabalhador cada vez menos se reconhecer enquanto trabalhador. É o triunfo do capital sobre força de trabalho. Mas não através de seu assassinato, e sim pela mais absoluta apropriação de sua potência.
Claro que esse controle não poderia existir sem as corporações de mídia. Não numa sociedade com as nossas características. Numa mega-cidade como o Rio de Janeiro, por exemplo. Um governo, uma empresa ou mesmo um candidato não consegue comunicar uma determinada medida, ação ou proposta sem utilizar veículos de comunicação de massa. Acontece que hoje, no Brasil, esses veículos estão concentrados nas mãos de poucas famílias e/ou grupos empresariais, que são responsáveis pela quase totalidade da produção de subjetividades, ou seja, pelas formas de agir, sentir e viver que são disseminadas. No caso da televisão, por exemplo, que é o veículo com maior poder comunicacional numa sociedade como a brasileira (onde apenas 26% das pessoas entendem o que lêem segundo o Instituto Paulo Montenegro, 2005): das sete emissoras abertas, seis são privadas e ideologicamente afinadas a serviço da exploração do povo brasileiro e do genocídio de outros povos. Ou alguém já viu uma reportagem sobre a violência de um salário mínimo que vale um terço do mínimo necessário para uma família sobreviver? Quem já assistiu a uma matéria condenando a invasão do Iraque? É muita crueldade submeter 190 milhões de pessoas a uma programação como essa.
A mídia privada transmite medo, baixa-estima, covardia. Uma população amendrontada, deprimida e covarde é facilmente controlada. Reside aí a intenção dos conglomerados de comunicação: manter o status quo e de quebra lucrar com a venda de seguros.
Por fim, resta a conclusão deste comentário: a revolução brasileira passa pela democratização dos meios de comunicação. Não será possível descolonizar o país sem descolonizar as mentes.

(*) Texto dedicado a uma mulher que vi entrar num ônibus, na cidade do Rio de Janeiro. Ela tinha uns 50 anos, cabeça baixa, olhar miúdo e uma expressão entre apenada e envergonhada de sua própria condição, o que ficou bastante evidente ao passar o cartão magnético para destravar a roleta. Era como se implorasse para que ele funcionasse e, assim, pudesse seguir viagem após pagar uma das tarifas mais caras do mundo: R$ 2,10. Que um dia essa feição submissa não seja regra entre os brasileiros. Que quando nos depararmos diante do abuso cometido por um empresário de ônibus, sejamos fortes e unidos para vencê-lo. Que quando estivermos diante de uma tarifa bancária abusiva, que sejamos fortes e unidos para derrubá-la. Que quando estivermos diante de uma violência subjetiva, que sejamos fortes e unidos para destruí-la. Porque todo ato de rebeldia consciente deve ser defendido.
Por Marcello Sales - www.fazendomedia.com



FALA TU:

Domingo, Maio 11, 2008

Deus não poderia estar em todas as partes, por isso ele fez as mães.

Certo dia na cadeia o mestre Tupac Shakur em momentos de solidão escreveu uma canção para sua mãe. E essa linda canção saiu assim:

Música: Dear mama.
Artista: Tupac


Querida Mamãe

Você é querida

Quando eu era criança eu e minha mãe brigamos
Aos 17 anos de idade fui jogado nas ruas
Embora na época não queria mais ver a cara dela
Não há outra mulher no mundo que possa tomar o lugar dela
Suspenso da escola e com medo de voltar pra casa, eu era um otário
Junto com os malucos mais velhos quebrando todas as regras
Eu chorava junto com a minha irmãzinha
Os anos passavam e éramos mais pobres que as outras crianças
O mesmo drama
Quando as coisas davam errados culpávamos nossa mãe
Eu me lembro do estress que eu causava, era um inferno
Minha mãe me abraçando dentro de uma cela
E quem imaginaria isso no primário?

Heeey! Eu veria a penitenciária algum dia
E quando eu corri da policia, que pra mim era certo
A minha mãe me pegou e me deu um coro
E mesmo sendo uma viciada em crack mamãe
Você sempre foi uma rainha negra, mamãe
Eu finalmente entendo
Que para uma mulher não é fácil criar um homem

Você era muito empenhada
Uma mãe solteira e pobre vivendo de Assistência Social
Como você conseguiu?
Não há como eu lhe pagar de volta
Mas o meu plano é lhe mostrar que eu entendo
Você é querida


[REFRÃO]
Mãe...
Você não sabe que eu te amo? Querida mamãe
Querida mamãe
Não há ninguém acima de você, doce mamãe
Você é querida
Você não sabe que eu te amo?

Ninguém me disse que a vida era justa
Sem amor do meu pai porque o covarde não estava conosco
Ele morreu e eu nem chorei, porque o meu ódio
Me impedia de sentir algo por um estranho
Dizem que estou errado e que não tenho coração
Mas o tempo todo eu estava procurado por um pai que nunca aparecia

Eu comecei a andar com uns bandidos
E mesmo que eles vendessem drogas
Eles me deram muito amor
Eu saí de casa e comecei a fazer meus corres
Precisava de meu próprio dinheiro e comecei a traficar
Não me sinto culpado porque mesmo eu vendendo crack
Me sentia bem colocando dinheiro na sua caixa do correio

Eu gosto de pagar as contas quando elas estão atrasadas
Espero que você tenha achado o colar de diamantes que lhe mandei
Porque quando eu estava triste você sempre ao meu lado
E nunca me deixou sozinho porque você se importava comigo

E sempre via você chegando tarde do trabalho
Na cozinha tentando preparar algo pra gente comer
Você se virava com as migalhas que você recebia
E minha mãe fazia milagres em todo dia de Ação de Graças

Mas agora a estrada ficou difícil, você está sozinha
Tentando criar dois moleques levados sozinha
Não há como eu lhe pagar de volta
Mas o meu plano é lhe mostrar que eu entendo
Você é querida

[REFRÃO]
Mãe...
Você não sabe que eu te amo? Querida mamãe
Querida mamãe
Não há ninguém acima de você, doce mamãe
Você é querida
Você não sabe que eu te amo?

Bebo um pouco de licor e me lembro, porque mesmo com as tretas
Eu sempre pude contar com a minha mãe
E quando parecia que eu estava sem futuro
Você dizia às palavras que me colocavam no eixo novamente
E quando eu era criança e ficava doente
Você fazia de tudo pra me deixar feliz
E todas as minhas memórias de infância
Estão repletas das coisas boas que você fez pra mim
E mesmo quando eu pagava de louco
Eu sempre agradeço a Deus por você ser a minha mãe

Não há palavras para expressar o que eu sinto
Você nunca teve segredos, sempre foi verdadeira
E eu admiro o modo como você me criou
E todo o amor extra que você me deu
Eu gostaria de levar toda a sua dor embora

Mas se você conseguir sobreviver a noite
Logo aparecerá um belo dia
Tudo vai ficar bem se você for forte
Todo dia é uma luta, você tem que se segurar
E não há como eu lhe pagar de volta
Mas o meu plano é lhe mostrar que eu entendo
Você é querida


Tupac e Afeni Shakur

Essa música é uma das minhas preferidas do mestre, e em homenagem ao dia das mães eu to colocando ela traduzida pra quem não conhece.
Eu me identifico muito com esse som porque também fui criado só pela minha mãe e a coitada sofreu um bocado. Várias humilhações que passamos juntos. E quando me disseram que o meu “pai” havia morrido eu nada senti, pois ele não era nada pra mim. E é por isso que eu to sempre na luta de dar uma vida melhor pra ela. E se um dia eu conseguir dar uma vida realmente digna pra minha mãe isso ainda será pouco.
Dê muito valor a sua mãe, pois ela é única.
Ser mãe é um dom, mas nem todas possuem esse dom, e com isso fazem coisas que não devem com seus filhos.
No mundo em que vivemos existem mães, ou melhor, monstros que tem a coragem de jogar seus filhos no lixo. E pra esse tipo de mãe eu não posso desejar um feliz dia das mães até porque elas serão eternamente infelizes.
Mas para as guerreiras que lutam dia-a-dia para criar os seus filhos com muito esforço e amor, e que realmente entendem o significado da palavra mãe, eu só tenho a desejar um feliz dia das mães. Essas realmente merecem ter um dia mais do que especial.
Se um dia você chamar alguém para te acompanhar no inferno todos iram sumir, mais uma pessoa lhe dará as mãos e caminhará com você, e essa pessoa é a sua mãe, esteja certo disso.
Sem mais.

FALA TU: